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Tribunal para fusão entre Burson e Cohn & Wolfe no Brasil, diz fonte

Cristiane Lucchesi e Joe Mayes

19/12/2018 08h00Atualizada em 19/12/2018 17h41

(Bloomberg) -- Um tribunal arbitral determinou que a Burson-Marsteller e a Cohn & Wolfe no Brasil se abstenham de qualquer medida que implique a fusão das duas empresas, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

Isso significa que a WPP, a maior empresa de serviços de comunicação, relações públicas e assessoria de imprensa no mundo, não pode, pelo menos por enquanto, combinar as operações e time de gestão das suas duas unidades, a Burson-Marsteller e a Cohn & Wolfe no Brasil, diferentemente do que vem acontecendo no resto do mundo, disse a pessoa, pedindo para não ser identificada, pois a decisão não é pública. A empresa terá ainda de reverter qualquer medida que por ventura tenha sido tomada que implique a união das duas subsdiárias, segundo a pessoa.

Em fevereiro, a WPP, com sede em Londres, anunciou a fusão de suas unidades, criando a Burson Cohn & Wolfe (BCW) no mundo todo. Em setembro, a BCW anunciou que Patrícia Ávila, desde maio de 2017 presidente da Burson-Masteller no Brasil, tinha sido nomeada a nova presidente da empresa unificada no Brasil.

A decisão do tribunal, tomada por meio de medida cautelar em 27 de novembro, é parte do processo aberto a pedido da acionista minoriária Maristela Mafei no Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá, segundo a pessoa. Maristela, que vendeu a empresa de relações públicas e assessoria de imprensa Máquina da Notícia para a Cohn & Wolfe em 2016, reclama que não está recebendo tudo o que estava previsto no contrato de venda, que inclui as chamadas cláusulas de "earnout" -- pagamento de cinco parcelas do preço de compra no futuro, de acordo com o desempenho futuro da empresa, disse a pessoa.

Maristela argumenta ainda, no processo de arbitragem, que, no contrato de venda da Máquina da Notícia, estava previsto que qualquer fusão ou venda da Cohn & Wolfe teria de ser negociada com ela, de forma a evitar diluição de sua participação, segundo a pessoa.

Em um email de resposta à Bloomberg, a BCW disse que a empresa "nunca planejou a fusão de suas unidades no Brasil até que o período de earnout da Máquina Cohn & Wolfe estivesse finalizado, como requerido pelo árbitro; isso não é um problema para os nossos negócios."

O Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara Brasil-Canadá não quis comentar. Roberto Barrieu, advogado da firma Cescon & Barrieu Advogados, que representa Maristela Mafei, disse que sua cliente não pode se manifestar, pois o processo é sigiloso.

A medida cautelar teve ao menos um impacto nos negócios da WPP no Brasil. Em edital publicado no Diário Oficial no dia 5 de dezembro, a empresa Maristela Mafei Participações S/A, holding da Máquina Cohn & Wolfe, convoca para 21 de dezembro uma assembleia de acionistas destituindo Ávila do time de administradores da empresa. Na mesma assembleia, também será votada a destituição de Francisco Carlos de Carvalho, presidente da BCW para a América Latina, do time de administradores da holding.

Os acionistas da holding vão votar ainda a nomeação de Rosa Maria Scavazza Vanzella Trovati, diretora de comunicação da Máquina Cohn & Wolfe, e Simone Rezkallah Iwasso, sócia, como administradoras da holding, segundo o edital.