PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Conflito na maior mina de cobre do mundo sinaliza mais problemas

Laura Millan Lombrana

20/12/2018 16h06

(Bloomberg) -- A maior produtora de cobre do mundo busca modernizar uma de suas minas mais antigas. Mas os planos estão estimulando uma série de protestos e paralisações dos trabalhadores, deixando claro que os desafios técnicos não serão o único obstáculo.

A Codelco está nos últimos estágios de um projeto de US$ 5,5 bilhões para dar vida nova à operação Chuquicamata, no norte do Chile, que transformará a maior mina a céu aberto do mundo em uma operação subterrânea. A mineradora estatal precisa investir US$ 22 bilhões até 2022 na atualização das antigas minas para manter a produção em meio à redução dos estoques nos armazéns de todo o mundo.

Mas o projeto terá custos humanos, segundo os trabalhadores, que sinalizam a possibilidade de novos distúrbios no futuro. As mudanças na mina provocarão um corte de cerca de 1.700 postos de trabalho dos atuais 5.000. Considerando que outras minas da Codelco deverão ter destino parecido, os trabalhadores sentem uma necessidade maior de serem ouvidos. Isso sugere que a relação da Codelco com os trabalhadores da mina pode piorar em um momento em que a produção global de cobre é inferior à demanda.

"Essa situação só vai piorar -- continuaremos até a empresa entender que deve respeitar os trabalhadores da Chuquicamata", disse Cecilia González, presidente do sindicato número 1 de Chuquicamata, em entrevista, em Valparaíso. "Estamos lidando com uma diretoria que quer transformar Chuquicamata sem respeitar sua cultura e sua história."

O processo de ampliação para operação subterrânea na mina de Chuquicamata coincidirá com a negociação da Codelco com os três maiores sindicatos da mina, que representam cerca de 4.500 dos 5.000 trabalhadores. Eles precisarão assinar um novo acordo coletivo antes do fim do atual, em maio. A Codelco assinou novos acordos coletivos com mais de 15 sindicatos neste ano e houve apenas uma greve, disse o CEO Nelson Pizarro na apresentação dos resultados do terceiro trimestre da empresa.

A mudança para a mineração subterrânea na centenária Chuquicamata já está custando caro à Codelco. Após uma paralisação em julho, os trabalhadores bloquearam os acessos a Chuquicamata duas vezes neste mês, o que reduziu a produção. Três dos cinco sindicatos da mina querem que a diretoria negocie as demissões e os pacotes de indenização, incluindo plano de saúde para os trabalhadores que estão de saída. Eles querem também a garantia de que as condições de trabalho dos trabalhadores debaixo da terra não vão piorar quando a mina começar a operar, em meados de 2019.

Até o momento, a diretoria não os escutou, disse González. "Os trabalhadores estão apoiando os líderes sindicais porque entendem que seus empregos, seus benefícios e a saúde de suas famílias estão em risco."

Um representante da Codelco preferiu não comentar.

Os protestos na mina de Chuquicamata, que produziu 331.000 toneladas de cobre no ano passado, e no entorno dela podem afetar o restante das minas do distrito norte da Codelco, que estão muito próximas umas das outras e, em alguns casos, compartilham estradas de acesso. Entre elas estão a Radomiro Tomic, segunda maior mina da Codelco, e a Ministro Hales.