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Setor de drones teme ataque político após paralisar aeroporto

Stefan Nicola e Jeremy Kahn

21/12/2018 16h19

(Bloomberg) -- O segundo aeroporto mais movimentado do Reino Unido, o Gatwick, em Londres, recorreu ao Exército nesta semana porque a polícia não conseguiu impedir as incursões de drones ilegais que voaram sobre a instalação por quase 24 horas, atrapalhando viagens de mais de 120.000 pessoas.

Agora, analistas e executivos temem que uma reação política possa impedir o rápido crescimento da indústria de drones.

Incidentes de segurança importantes como o que paralisou Gatwick "tendem a causar nos políticos a reação intempestiva de regular e restringir o desenvolvimento", disse Kumardev Chatterjee, CEO da Unmanned Life, uma startup europeia de software para drones. Em vez disso, as autoridades devem gerenciar melhor o setor para permitir que inovação continue, disse.

O mercado mundial de drones comerciais deverá crescer em média 36 por cento ao ano e chegar a US$ 14,7 bilhões em 2022, segundo relatório da firma de pesquisa de mercado Technavio publicado no começo do ano. Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo estão ansiosas para aproveitar a oportunidade e demonstrar os benefícios para as autoridades.

Em Cambridge, a cerca de 100 quilômetros de Londres, a Amazon está testando seus serviços de entregas com drones. O CEO Jeff Bezos anunciou os planos com drones da empresa em 2013 como forma de entregar determinados itens aos clientes em até 30 minutos.

Em julho, a Alphabet anunciou que o Wing, outro sistema de entregas de produtos baseado em drones, se formaria no laboratório de inovações de sua subsidiária Google e se transformaria em um negócio independente dentro da unidade "Other Bets", que inclui por exemplo a Waymo, um empreendimento de carros autônomos. Ela deve ser lançada na Finlândia na primavera (Hemisfério Norte) de 2019, primeira presença europeia da divisão Wing.

Dezenas de outras empresas, como Qualcomm, FedEx, Uber Technologies e Facebook, mostraram interesse em participar do desenvolvimento futuro de drones -- a Uber para alimentos, as demais para inspeções de aviões.

No entanto, os crimes envolvendo drones, como o de Gatwick, só aumentarão o escrutínio dos governos e do público ao uso desses veículos por gigantes da tecnologia. Chris Fleming, CEO da Cyberhawk, que opera drones para inspeção de equipamentos de petróleo e gás, turbinas eólicas e instalações industriais, disse que ficou triste com os eventos no Gatwick.

"Isso coloca o uso do drone sob o microscópio e apresenta a tecnologia de forma negativa", disse Fleming, em entrevista. "E é uma representação equivocada dos aparelhos, porque eles são uma ferramenta para o bem."

Mas o incidente no Gatwick também pode ser positivo para o setor de drones, porque pode acelerar a criação de regras para implementação de sistemas mais complexos de gerenciamento de drones.

"O episódio do Gatwick servirá como uma espécie de alerta para as autoridades de todo o mundo", disse Aapo Markkanen, analista da empresa de pesquisas Gartner. "As novas regulações provavelmente restringirão o uso de drones pelos consumidores, mas ao mesmo tempo tornarão o ambiente operacional mais fácil e mais certo para as empresas e as organizações do setor público."

--Com a colaboração de Natalia Drozdiak e Nate Lanxon.

Repórteres da matéria original: Stefan Nicola em Berlim, snicola2@bloomberg.net;Jeremy Kahn em Londres, jkahn21@bloomberg.net