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Boom de carros híbridos é mais um motivo de otimismo com paládio

Yuliya Fedorinova e Rupert Rowling

28/12/2018 12h22

(Bloomberg) -- O paládio, o metal mais badalado deste ano, é usado principalmente para reduzir a poluição causada pelos motores a gasolina. No entanto, quem apostar que o surgimento dos veículos elétricos reduzirá a demanda em breve provavelmente vai se decepcionar, de acordo com a principal produtora do metal.

Os carros híbridos elétricos, que também precisam de metais preciosos para controlar a poluição, representam uma porcentagem crescente da demanda futura, disse Anton Berlin, diretor de análise e desenvolvimento de mercado da Norilsk Nickel. A mineradora russa projeta que o uso combinado de paládio em veículos híbridos e plug-in híbridos - ou recarregáveis - no ano que vem será quase três vezes maior que em 2016.

A Norilsk não é a única a projetar o crescimento dos híbridos, pelo menos a médio prazo. Embora o aumento previsto para os veículos elétricos seja significativo, "não se compara" ao tipo de expansão esperada em automóveis híbridos elétricos, afirmou o JPMorgan Chase em um relatório de outubro. Estima-se que os híbridos crescerão de apenas 3 por cento do mercado global em 2016 para 23 por cento das vendas até 2025, afirmou.

O paládio subiu 19 por cento neste ano e bateu recordes consecutivos neste mês, tendo às vezes até ultrapassado o ouro como o metal mais valioso. Projeta-se que a demanda excederá a oferta pelo sétimo ano consecutivo em 2018.

Há certa expectativa de que o aumento do custo do paládio possa levar as fabricantes de automóveis a buscar maneiras de aumentar o uso da platina, metal similar que é amplamente utilizado nos motores a diesel. No entanto, Berlin disse que não espera uma grande substituição em breve. Essa transição leva tempo e talvez não seja economicamente viável, disse ele.

Alguns analistas também projetam uma queda nos preços do paládio no próximo ano. A perspectiva de demanda positiva já está refletida no preço, que está excessivamente alto, de acordo com Georgette Boele, coordenadora de estratégia cambial e de metais preciosos do ABN Amro Bank.

Ainda assim, a perspectiva de demanda continua otimista. O número de carros com um catalisador que contém algum metal do grupo da platina provavelmente crescerá de quase 76 milhões para quase 90 milhões em 2025, segundo Carsten Menke, estrategista de commodities da Julius Baer Group.

"A demanda por metais do grupo da platina em geral e a demanda por paládio em particular deve continuar crescendo nos próximos seis anos."

--Com a colaboração de Ania Nussbaum.

Repórteres da matéria original: Yuliya Fedorinova em Moscou, yfedorinova@bloomberg.net;Rupert Rowling em Londres, rrowling@bloomberg.net

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