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Acesso à conta bancária se tornou um negócio de US$ 3 bi

Julie Verhage, Gillian Tan e Selina Wang

08/01/2019 12h59

(Bloomberg) -- Quando uma conta-corrente é vinculada ao aplicativo Venmo ou usada para comprar bitcoins, uma startup chamada Plaid provavelmente está facilitando a conexão com o banco. Após a digitação do nome de usuário e senha; a Plaid verifica essas credenciais com a instituição financeira e, se elas forem corretas, passa as informações bancárias de volta ao aplicativo. E pronto.

Este tipo de software existe há décadas. Mas no ano passado, a Plaid chamou a atenção dos investidores. A startup com sede em São Francisco foi alvo de uma guerra de lances entre capitalistas de risco e pelo menos uma empresa de tecnologia, o que resultou em um investimento de US$ 250 milhões no mês passado. Esse dinheiro irá em parte para a aquisição de uma de suas maiores concorrentes.

A Plaid planeja anunciar nesta terça-feira que vai comprar a Quovo, que tem sede em Nova York. O acordo pode valer cerca de US$ 200 milhões depois dos bônus de desempenho, disseram três pessoas familiarizadas com a transação, que pediram para não serem identificadas porque as condições do acordo são confidenciais. As empresas preferiram não comentar.

Desde que começou a Plaid em 2012, Zach Perret vendeu as nove linhas de código da startup para alguns dos aplicativos financeiros mais populares. A startup de assessoria robótica Betterment, a bolsa de criptomoeda Coinbase, a Venmo, que pertence à PayPal Holdings, e o aplicativo de negociação de ações Robinhood Markets usaram a Plaid. Por sua vez, a Quovo se especializa em gestão de patrimônio e corretagem. "Isso representa a fusão de duas empresas complementares, mas ambas muito importantes", disse Perret, CEO da Plaid.

O antigo negócio de transmitir dados bancários com segurança pela internet há muito era dominado por uma empresa chamada Yodlee. Criada em 1999, a companhia assinou contrato com vários bancos grandes e abriu o capital em 2014. Menos de um ano depois, a empresa de serviços financeiros Envestnet comprou a Yodlee por US$ 660 milhões.

Os novos nomes gostam de evidenciar suas diferenças em relação à Yodlee, particularmente na área de privacidade do cliente. Quando alguém usa um desses serviços para efetuar login em seu banco, o provedor pode ver os saldos bancários e outras informações. A Yodlee informou que vende dados anonimizados de usuários para fundos de hedge. A Plaid e a Quovo afirmam que não fazem isso.

Em 2016, o Goldman Sachs Group liderou um investimento na Plaid que avaliou a empresa em menos de US$ 500 milhões. No ano passado, a Square manifestou interesse. A companhia realizou negociações para adquirir a Plaid por cerca de US$ 1 bilhão, disseram pessoas a par do assunto. A Square, que faz software de caixas registradoras e pagamentos, vem se expandindo para os serviços financeiros on-line, como um negócio de empréstimos e um aplicativo semelhante ao Venmo para efetuar pagamentos para amigos. As negociações, que não foram anunciadas anteriormente, não resultaram em um acordo. Square e Plaid preferiram não comentar.

Nos meses seguintes, nomes do capital de risco disputaram uma fatia da Plaid. Um investidor se comprometeu a comprar ações a mais de quatro vezes o preço da ação na rodada de financiamento anterior. Mary Meeker, da Kleiner Perkins Caufield & Byers, apareceu com uma oferta ainda maior. Ela fechou um acordo no mês passado que avaliou a Plaid em US$ 2,65 bilhões.

A receita da Plaid no ano passado rondou o que a Yodlee gerava há quatro anos, disse uma pessoa familiarizada com o desempenho financeiro da Plaid. Esse número foi de US$ 89 milhões. Para corresponder às expectativas, a Plaid sabe que precisará se expandir mais rápido. O negócio desta terça-feira poderia ajudar com isso.

Repórteres da matéria original: Julie Verhage em Nova York, jverhage2@bloomberg.net;Gillian Tan em NY, gtan129@bloomberg.net;Selina Wang em Nova York, swang533@bloomberg.net

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