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Startup do Vale do Silício atribui quebra à guerra comercial

Selina Wang

18/01/2019 13h14

(Bloomberg) -- Uma das estrelas da conferência TED de 2016 foi um tecnólogo israelense chamado Meron Gribetz. No palco, ele usou um headset de realidade aumentada e impressionou o público com a capacidade do aparelho de manipular imagens holográficas.

A TED Talk de Gribetz repercutiu especialmente na China. Duas das marcas de tecnologia mais famosas do país, Lenovo Group e Tencent Holdings, deram cheques para a Meta, empresa de Gribetz com sede no Vale do Silício, que arrecadaria mais de US$ 80 milhões, segundo a empresa de pesquisa PitchBook Data. A dependência em relação ao dinheiro chinês acabaria contribuindo para a quebra da startup, de acordo com Gribetz.

Nesta sexta-feira, Gribetz pretende divulgar detalhes do encerramento da Meta e da venda de seus ativos para uma empresa cujo nome ele não revelou. Em uma entrevista, Gribetz disse que as preocupações com a escalada das tarifas entre os EUA e a China e o escrutínio de acordos estrangeiros deixaram sua empresa sem o financiamento que ele esperava. Ele mencionou um investimento de US$ 20 milhões anteriormente anunciado que caiu por terra no quarto trimestre do ano passado.

"Por causa da guerra comercial, os chineses barraram este acordo no último minuto", disse Gribetz. "Não conseguimos atrair novos financiamentos e a empresa ficou sem recursos."

Embora as tarifas chinesas tenham punido fabricantes americanas de produtos eletrônicos de todos os portes, as startups de gadgets enfrentam desafios fundamentais além da política. Em particular, os headsets de realidade aumentada que projetam imagens digitais sobre a visão que o usuário tem do mundo real ainda não corresponderam às expectativas. Alguns dos maiores proponentes estavam na China. O financiamento para startups de realidade virtual ou aumentada envolvendo investidores chineses chegou a quase US$ 1 bilhão em 2017, segundo a empresa de pesquisa CB Insights.

Essa empolgação já diminuiu. O investimento global em startups de realidade virtual ou aumentada caiu 35 por cento no ano passado, segundo a CB Insights. A Magic Leap, a mais alardeada de todas, finalmente lançou um produto no terceiro trimestre, depois de anos trabalhando em segredo e sugando mais de US$ 2 bilhões de investidores dos EUA, da China e de outros países. Os críticos não ficaram impressionados. Uma fabricante muito menor de óculos de realidade aumentada, a Osterhout Design Group, pretende liquidar suas patentes.

Em setembro, Gribetz disse que a Meta tinha um compromisso de uma firma chinesa de private equity e imóveis de US$ 20 milhões, o que ancoraria uma rodada de financiamento de US$ 150 milhões. Mas o principal investidor recuou, disse ele, a pedido de uma autoridade chinesa que citou a guerra comercial e as medidas do governo Trump. Como resultado, outros investidores se retiraram, disse ele. A Meta despediu dois terços de seus quase 100 funcionários.

Sem financiamento adicional, a Meta não conseguiu pagar as obrigações de dívida, e o credor confiscou a empresa com sede em San Mateo, na Califórnia, disse Gribetz. Os ativos foram vendidos a um valor abaixo do montante do empréstimo pendente, de acordo com um documento apresentado em um processo de violação de patente contra a Meta. "Fui atingido por essa guerra comercial e foi uma coisa muito surpreendente e chocante", disse ele. "Eu tentei fazer o meu melhor."