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EDP Brasil aposta em transmissão para dobrar de tamanho até 2020

Taís Fuoco, Sabrina Valle e Vinícius Andrade

21/01/2019 14h38

(Bloomberg) -- A EDP quer dobrar de tamanho no Brasil até 2020 e está disposta a usar até um ano de caixa, ou o equivalente a R$ 2 bilhões, para ir às compras no país, disse o presidente Miguel Setas. Ativos de energia em geração, transmissão e distribuição estão na mira da empresa.

Com novo foco, área de transmissão de energia deve sair de zero no balanço para passar a responder por 20% do Ebitda da empresa até 2021. Com cinco lotes de transmissão para construir, a área deve ajudar a EDP a duplicar sua dimensão no país de 2017 até 2020, disse Setas em entrevista no escritório da Bloomberg.

O executivo diz que a EDP está "completamente otimista" com o momento econômico do país, citando quadro macroeconômico estabilizado, taxa de juros de um dígito e inflação sob controle. "Falta vir o crescimento econômico e a agenda reformista acontecer", disse.

"Os investimentos estão todos contratados. Nada põe em risco essa concretização. Se houver oportunidade, podemos investir ainda mais", disse ele sobre os planos de crescimento. O capex de 2018 deve ser elevado este ano, mas a cifra ainda não está fechada.

A disposição para crescer inclui participar dos leilões oferecidos pelo governo ou via mercado secundário, casos em que empresas que ganharam lotes em leilões perdem interesse ou não têm condições financeiras de colocar os projetos de pé e os repassam a outras companhias. "Nos últimos 3 leilões de transmissão não conseguimos nenhum lote porque houve uma competição predatória", disse Setas. "Entramos com janela de rentabilidade adequada".

A empresa vê espaço para elevar sua alavancagem, caso isso seja preciso para financiar os investimentos no crescimento. A relação dívida líquida/Ebitda da EDP Brasil é hoje de cerca de 2 vezes. Tipicamente no setor, é de 3 a 3,5 vezes, segundo o executivo. "Temos 1 Ebitda de endividamento possível", disse Setas.

Com ativos avaliados em R$ 22 bilhões no país, a limpeza do portfólio também faz parte da estratégia da EDP. Em dezembro, por exemplo, ela concluiu a alienação da EDP Pequenas Centrais Elétricas e da Santa Fé Energia, como parte de uma decisão de se desfazer das PCHs. A racionalização de ativos deve continuar a acontecer, gerando recursos para reinvestimento em outros negócios, mas não há nenhum ativo específico para venda neste momento, segundo o presidente.

"Distribuição é outra área em que temos interesse", disse Setas. No ano passado, a EDP Brasil passou a deter 23,6% da Celesc, de Santa Catarina, tornando-se sua maior acionista. "Veremos no futuro se haverá uma agenda de privatização dessa cia.", disse Setas. A EDP teria interesse em ampliar sua fatia e até passar a controlar essa empresa.

--Com a colaboração de Mario Sergio Lima.