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Ascensão do xisto dos EUA sufoca décadas de comércio de gasolina

Prejula Prem e Jack Wittels

22/01/2019 13h45

(Bloomberg) -- A ascensão do petróleo de xisto dos EUA está sufocando um comércio histórico de gasolina, prejudicando refinarias europeias que durante décadas dependeram de que os motoristas americanos comprassem o excedente de suas ofertas.

Nos últimos 30 dias, navios-petroleiros que transportavam gasolina europeia para o maior consumidor do mundo desviaram para a Venezuela e para ilhas do Caribe. Houve até um raro salto nas remessas na direção oposta. As importações da Europa atingiram o menor nível desde novembro neste mês e continuam bem abaixo do nível do ano passado, segundo dados aduaneiros e de monitoramento de navios.

O rápido aumento da produção de óleo de xisto dos EUA, que é rico em gasolina, é um dos principais fatores para a diminuição dos fluxos porque as refinarias estão operando no maior nível em mais de 15 anos. Isso levou a uma mudança fundamental nos estoques do combustível rodoviário do país, atualmente no maior nível sazonal desde pelo menos 1990, o que deprimiu a demanda por reabastecimento da Europa.

"A produção de petróleo de xisto está passando por uma fase de sonho e os EUA produzirão mais gasolina", disse Olivier Jakob, diretor-gerente da Petromatrix. A queda nos fluxos transatlânticos está sendo causada por uma combinação de mais refino de petróleo de xisto e demanda fraca nos EUA, disse.

Mercados alternativos

Até o momento, as refinarias da Europa conseguiram enviar um pouco mais para mercados alternativos como América Latina, África Ocidental, Oriente Médio, Ásia e até lugares mais distantes como a Austrália, mas Jakob diz que esses mercados também têm excesso de oferta.

Os carregamentos de gasolina e componentes de mistura da Europa para a Ásia deram um salto de mais de 80 por cento neste mês em relação a dezembro, para cerca de 70.000 barris por dia, e as exportações para o Oriente Médio estão no maior nível desde outubro, segundo dados preliminares da empresa de análises sobre o petróleo e monitoramento de navios-petroleiros Vortexa.

E esses mercados se tornarão cada vez mais competitivos, particularmente com a China tendo exportado mais no ano passado -- e ampliando a capacidade de refino em 2019 -- para aumentar a oferta regional.

Tempos mais difíceis

A notícia é ruim para os exportadores de gasolina da Europa, cujo principal mercado está se tornando mais difícil. A produção média de gasolina dos EUA subiu mais de 800.000 barris por dia entre 2014 e 2018, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

Tudo isso começa a afetar os fluxos. A Vortexa observou que pelo menos dois navios-petroleiros transportaram gasolina e/ou componentes do Golfo dos EUA para o hub de comércio europeu de Amsterdã, Roterdã e Antuérpia (ARA) em novembro e dezembro. Em outubro, os embarques americanos de gasolina acabada para a Holanda dispararam, segundo números da EIA.

"Veríamos boas chances de os volumes e a economia desta rota serem um pouco reduzidos devido à situação de excesso de oferta no Atlântico", disse Neil Crosby, analista líder de downstream da JBC Energy. "Percebe-se que a situação é incomum quando os EUA começam a enviar gasolina para hubs de exportação de gasolina europeus como ARA."

--Com a colaboração de Michelle Kim.

Repórteres da matéria original: Prejula Prem em Londres, pprem1@bloomberg.net;Jack Wittels em Londres, jwittels1@bloomberg.net