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Picape elétrica chinesa de US$ 5.000 quer entrar nos EUA

Bloomberg News

24/01/2019 12h42

(Bloomberg) -- As montadoras chinesas querem entrar no mercado americano há mais de uma década. Uma pequena picape de US$ 5.000 é a próxima a tentar.

A Kaiyun Motors iniciará exportações em massa para os EUA em 2019 após passar os últimos quatro anos analisando as necessidades dos consumidores, disse o fundador Wang Chao em entrevista por telefone. A startup tem as aprovações necessárias e planeja vender até 10.000 picapes elétricas Pickman nos EUA neste ano, disse.

A empresa tenta conquistar compradores que não querem gastar muito e que necessitam transportar carga, mas não precisam de uma picape maior como a Ford F-150, o modelo mais vendido dos EUA. A Pickman, com velocidade máxima de 45 quilômetros por hora, é feita sob medida para fazendeiros, para funcionários de fábricas que transportam cargas no local de trabalho e para quem vai de carro para o trabalho, disse Wang.

Embora a Pickman seja mais ágil do que as picapes produzidas nos EUA e custe apenas um décimo de uma F-150, a velocidade limitada e a autonomia de 120 quilômetros por recarga podem afastar alguns clientes em potencial. As marcas chinesas também precisam convencer os consumidores americanos a respeito de suas características de qualidade e segurança em um mercado dominado pelas fabricantes nacionais e japoneses há décadas.

"2019 será o ano número 1 para a Kaiyun, já que entraremos em mercados estrangeiros como os EUA", disse Wang. "Podemos tornar nossa Pickman tão bem-sucedida quanto a F-150."

Espaço para armas

Na China, a Pickman movida a bateria custa 16.800 yuans (US$ 2.470), menos do que dois iPhones de ponta. A picape será vendida por US$ 5.000 nos EUA e por 5.000 euros (US$ 5.700) na Europa, já que as versões desses mercados chegam com revisões e recursos adicionais, como estruturas reforçadas e espaço para armazenamento de armas.

"Eu posso imaginar, na América do Norte e na Europa, as pessoas usando a Pickman como veículo utilitário em canteiros de obras", disse Steve Man, analista automotivo da Bloomberg Intelligence em Hong Kong. De resto, é preciso esperar para saber se os consumidores ocidentais estarão dispostos a trocar suas picapes maiores pela Pickman, disse.

Wang disse que sua empresa enviou um pequeno volume de Pickmans para os EUA nos últimos 12 meses para testá-las e verificar o retorno dos consumidores, e que continuou adaptando o veículo ao mercado. A empresa concluiu os processos de aprovações regulatórias e de certificação para venda na União Europeia em janeiro e começará a enviar o primeiro lote de Pickmans para a Alemanha e a Itália após o feriado do ano-novo lunar (chinês), no mês que vem, disse ele.

Com capacidade para transportar 500 quilos de mercadorias, o veículo será suficiente para a maioria dos usuários de picapes, disse Wang. Como parte dos planos de expansão, a empresa está selecionando um lugar para montar uma fábrica na América do Sul, disse.

"Os miniveículos elétricos são mais do que suficientes para atender as necessidades diárias dos consumidores", disse Wang. "Há um mercado enorme em todo o mundo."

To contact Bloomberg News staff for this story: Ying Tian em Pequim, ytian@bloomberg.net