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Startup que revolucionou mercado cambial quer expandir império

Lananh Nguyen

30/01/2019 14h57

(Bloomberg) -- Os maiores traders cambiais se reuniram, em maio, em um balneário da era vitoriana em Londres. Eles beberam champanhe em meio a mosaicos de azulejos, vitrais e tapetes orientais. Estavam sendo anunciados os resultados da 2018 Foreign Exchange Survey, da Euromoney Institutional Investor.

Um susto e aplausos tomaram conta do ambiente.

A XTX Markets, uma startup de três anos, tinha sido nomeada a terceira maior formadora do mercado que movimenta US$ 5,1 trilhões por dia, superando alguns dos maiores bancos do mundo, como Citigroup e Deutsche Bank. Para uma empresa que tinha sido a 12° colocada no ano anterior, foi um enorme sucesso.

Agora, a companhia com sede em Londres, que não tem operadores humanos, está de olho nos mercados dos EUA.

A XTX pretende se expandir em ações e títulos do Tesouro dos EUA, mercados em que, segundo a empresa, os clientes não estão fazendo um bom negócio. "Não achamos que todos os mercados sejam justos e eficientes", diz Zar Amrolia, um dos CEO da XTX. Ele aponta em particular para as ações dos EUA. "A velocidade é tão alta que não oferece nenhum benefício ao mercado - é prejudicial", diz ele, e acrescenta que isso aumenta os custos para os investidores. Amrolia, doutor em Matemática pela Universidade de Oxford, foi codiretor de renda fixa, moedas e commodities do Deutsche Bank até 2015, quando saiu e fundou a XTX com outro ex-funcionário do banco, Alex Gerko, que também é doutor em Matemática.

Eles querem mudar as regras do jogo. Em uma carta à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês), em novembro, Amrolia e o outro CEO, Gerko, apelaram para uma "reversão total" da Regulamentação NMS - uma regra histórica da SEC, aprovada em 2005, que acelerou a transição para o trading eletrônico no mercado acionário dos EUA. "A corrida para acelerar o trading chegou a um ponto de inflexão em que o custo marginal de obter uma vantagem sobre outros participantes do mercado, hoje medido em microssegundos e nanossegundos, está prejudicando os investidores", escreveram eles.

Seus receios refletem os destacados no livro "Flash Boys: Revolta em Wall Street", publicado por Michael Lewis em 2014. Nele, Lewis descreve como traders de alta frequência empregam algoritmos complexos para entrar e sair rapidamente de posições em ações, ganhando dinheiro com a arbitragem de pequenas diferenças nos preços e adiantando-se às operações de outros investidores.

A XTX também criticou a chamada arbitragem de latência na carta à SEC, em que defendeu a criação de quebra-molas para desacelerar o trading e permitir que os formadores do mercado publiquem preços melhores sem serem derrotados pelos traders de alta frequência. "É ambicioso, mas também é prático e oportuno", diz Eric Swanson, o CEO da empresa para a América, que trabalha em Nova York. Ele foi diretor do departamento jurídico e secretário corporativo na operadora de bolsas Bats Global Markets, que foi comprada pela Cboe Global Markets em 2017.

Embora a empresa defenda uma mudança, Swanson aponta que os planos de crescimento da XTX não dependem de uma alteração das regras. "Nas ações dos EUA, estamos aqui para ficar", diz ele. "Sabemos que as mudanças na regulamentação vão demorar."