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Dívida estudantil em inadimplência grave soma US$ 166 bi nos EUA

Alex Tanzi

18/02/2019 11h38

(Bloomberg) -- A inadimplência nos empréstimos estudantis disparou no ano passado nos EUA, atingindo recordes consecutivos de US$ 166,3 bilhões no terceiro trimestre e de US$ 166,4 bilhões no quarto.

A Bloomberg calculou os valores em dólares a partir do relatório trimestral de endividamento das famílias do Federal Reserve de Nova York, que inclui apenas o total devido e o percentual não pago há pelo menos 90 dias ou em situação de calote.

Esse percentual permanece em torno de 11 por cento desde meados de 2012, mas o total subiu para um recorde de US$ 1,46 trilhão em dezembro de 2018 e a dívida estudantil não paga também atingiu o maior patamar da história.

A inadimplência continuou subindo apesar de o índice de desemprego ter caído para menos de 4 por cento, o que sugere que o mercado de trabalho americano forte não gerou um crescimento salarial suficiente para ajudar algumas pessoas a administrar as obrigações pendentes.

Os níveis de renda dos formados "não são necessariamente altos o suficiente para pagar dívidas em geral", disse Ira Jersey, estrategista de taxa de juros da Bloomberg Intelligence. "Se você tem como opções pagar o empréstimo estudantil ou comida ou moradia, qual você escolhe?"

A inadimplência também tem implicações mais amplas. Como a maioria dos empréstimos é bancada pelo governo, eles provavelmente não prejudicarão a economia da mesma forma que a dívida hipotecária em 2007, disse Jersey. "Mas, incrementalmente, isso significa déficits federais maiores se os empréstimos não forem pagos."

O total em atraso representa aproximadamente o dobro do valor que o Tesouro dos EUA forneceu para socorrer a indústria automotiva durante a última recessão.

Os empréstimos com pelo menos 90 dias de atraso são considerados em "inadimplência grave". A faixa etária que transita para essa categoria no ritmo mais rápido é a de 40 a 49 anos; isso ocorre, em parte, porque os pais estão tomando empréstimos para pagar as despesas dos filhos.

O custo do ensino superior praticamente dobrou nos últimos 20 anos e o Federal Reserve de St. Louis publicou recentemente uma postagem de blog perguntando: "Ainda vale a pena fazer faculdade?" A resposta não foi um sim definitivo. Uma das conclusões foi que "para a média dos recém-formados, em termos de acumulação de riqueza a faculdade não está compensando -- pelo menos, ainda não".

Algumas universidades perceberam isso e estão oferecendo mais apoio. O aumento percentual dos valores pagos na Cornell para o ano letivo 2019-2020 "é o menor em décadas e estamos orçando um aumento significativo da ajuda financeira", informou a universidade em 11 de fevereiro. E 2019-2020 será o sétimo ano consecutivo que a Universidade de Purdue não aumentará as tarifas de hospedagem e alimentação.

Mesmo assim, a matrícula e as taxas cobradas nas instituições públicas de quatro anos aumentaram a uma taxa média de 3,1 por cento ao ano acima da inflação na última década, segundo a College Board.