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Avião da Boeing em Shiraz evidencia alcance de sanções ao Irã

Ladane Nasseri

21/02/2019 16h01

(Bloomberg) -- Para os iranianos, Shiraz é conhecida como a cidade da poesia e das rosas.

Para a Norwegian Air Shuttle, a cidade tornou-se o foco de uma batalha que já dura dois meses para recuperar uma aeronave Boeing que ficou presa na teia de sanções dos EUA.

O avião 737 Max fez um pouso de emergência em Shiraz em 14 de dezembro, depois de desenvolver problemas no motor enquanto viajava de Dubai para Oslo. Os passageiros seguiram viagem no dia seguinte, mas desde então o avião permanece em solo na antiga cidade iraniana que fica no sopé da Cordilheira de Zagros.

A Norwegian Air inicialmente imaginou que seria fácil enviar as peças necessárias, disse Reza Jafarzadeh, chefe de relações públicas da Organização de Aviação Civil do Irã. "Então percebeu que havia um problema maior."

Na quarta-feira, a Norwegian anunciou que finalmente havia iniciado o processo de envio de um motor substituto após semanas de frustração.

A experiência da companhia escandinava de baixo custo revela um retrato do emaranhado de disputas judiciais e burocracia que pode ocorrer quando uma empresa se envolve, ainda que inadvertidamente, na política do poder internacional.

As sanções contra o Irã, restabelecidas no ano passado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, proíbem a venda de uma série de produtos com pelo menos 10 por cento de conteúdo americano, incluindo peças de aeronaves. Por causa dessas restrições, a Norwegian sofreu para obter autorização para conseguir as peças de reposição, enquanto perdia receita com a aeronave em solo e provavelmente pagava para mantê-la estacionada no aeroporto iraniano.

Paralisação do governo

Para piorar, a companhia aérea, que vem enfrentando dificuldades financeiras após um período de crescimento excessivamente rápido, viu-se à procura de ajuda do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), do Tesouro dos EUA, no meio da paralisação do governo federal.

A companhia também pode ter precisado convencer terceiros relevantes, como bancos, a se envolverem, disse Farhad Alavi, sócio administrativo da Akrivis Law Group em Washington, que assessora empresas sobre as sanções. Ele descreveu a situação como "uma tempestade perfeita".

A dor de cabeça da Norwegian finalmente diminuiu quando a Boeing recebeu uma licença do Ofac "para ajudar no conserto do 737 da Norwegian", disse Gordon Johndroe, porta-voz da empresa com sede em Chicago, por telefone.

A General Electric, parceira americana na fabricante de motores CFM International, também precisará obter autorização para despachar o motopropulsor de reposição.

"É muito cedo para dizer exatamente quando a aeronave poderá decolar", afirmou a Norwegian. "Mas nosso objetivo é trazê-la de volta para casa dentro da próxima semana."

--Com a colaboração de Julie Johnsson.