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Chile limitará direito de produtoras de cobre e lítio sobre água

Laura Millan Lombrana

21/02/2019 16h23

(Bloomberg) -- Em uma resposta atrasada à queda dos níveis de água doce em áreas desérticas, o Chile está adotando medidas para proteger um recurso natural que foi se esgotando ao longo de décadas de atividade de mineração.

Com o aumento das reclamações das comunidades locais e o agravamento dos efeitos das mudanças climáticas, o maior país produtor de cobre do mundo planeja adotar medidas que dificultarão o bombeamento de água doce pelas mineradoras.

A autoridade hídrica do Chile, a DGA, vai mais do que dobrar o número das chamadas áreas de proibição em todo o país neste ano, de 30 para pelo menos 70, segundo o diretor-geral do órgão, Oscar Cristi. Nenhuma licença nova poderá ser concedida dentro das zonas de proibição e qualquer extensão das licenças existentes precisará ser aprovada pelas autoridades ambientais.

"Há áreas de mineração que entrarão em novas zonas de proibição", disse Cristi, que preferiu não identificar as regiões para evitar possíveis especulações em torno dos direitos à água. "Em alguns lugares, as empresas de mineração estão autorizadas a bombear mais do que o que flui para a bacia e isso ameaça a sustentabilidade dos sistemas hídricos."

O deserto do Atacama, no norte do Chile, o lugar mais seco da Terra, abriga algumas das maiores minas de cobre e lítio do planeta. Embora ocasionalmente seja atingida por fortes chuvas e inundações, a região ficou mais seca nas últimas décadas, segundo a DGA. Ao mesmo tempo, a demanda das mineradoras por água deverá aumentar em meio à queda da qualidade do minério, obrigando-as a processar mais material para manter os níveis de produção.

Em resposta, as mineradoras estão construindo grandes unidades de dessalinização e o uso de água do mar deverá mais do que triplicar até 2029, segundo a última projeção da Comissão Chilena do Cobre (Cochilco). Apesar disso, o uso de água subterrânea nas gigantescas minas do país ainda deverá aumentar 12 por cento até 2029, informou a Cochilco.

O plano da DGA de ampliar as áreas de proteção hídrica faz parte de uma reforma maior no Chile que inclui a realização de estudos independentes para determinar os níveis de água de 10 bacias. No momento, a agência depende das informações contidas nos relatórios das empresas ao conceder direitos sobre a água.

'Caso complexo'

Essa questão é um desafio no Atacama. A maior mina de cobre do mundo, Escondida, da BHP, e a Zaldívar, da empresa Antofagasta, estão solicitando extensões de licença para bombear água no sul do Atacama. Mais ao norte, as duas maiores produtoras de lítio, Albemarle e Sociedad Química y Minera de Chile, também bombeiam água doce e lama rica em lítio de sob a planície salgada.

"Este é o caso mais complexo que temos no momento", disse Cristi. "É importante que Escondida e Zaldívar ajustem os atuais níveis de extração se quiserem continuar operando, porque a disponibilidade de água da bacia não suporta a taxa de extração atual."

Os níveis de água nos desertos de sal do Atacama são agora mais baixos do que eram antes de as operações de mineração começarem décadas atrás, disse Cristi. Se as empresas reduzirem o consumo de água, as bacias poderão se recuperar para os níveis pré-mineração até 2040, de acordo com os cálculos da DGA.