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Venezuela pede que empresas abram contas no exterior: Fontes

Patricia Laya e Fabiola Zerpa

21/02/2019 14h57

(Bloomberg) -- Autoridades do regime de Nicolás Maduro orientaram um grupo de executivos que representa cerca de 50 empresas de produtos de consumo a abrir contas bancárias na Rússia, na Turquia, na China e na Índia e a começar a estabelecer relações com fornecedores nesses países, segundo duas pessoas com conhecimento direto da reunião.

O Ministério das Finanças vai organizar workshops para que os executivos aprendam como abrir as contas no exterior, disse uma pessoa. As empresas também foram alertadas de que tentativas de interromper a produção para desestabilizar o governo desencadeariam represálias.

Na reunião convocada pelo vice-presidente da área econômica, Tareck El Aissami, e pelo ministro do Comércio Interior, William Contreras, realizada no palácio presidencial de Caracas, na segunda-feira, os executivos foram instruídos a não aumentar os preços, já que a inflação teria começado a desacelerar, disseram as duas pessoas, que pediram anonimato por tratar-se de uma reunião confidencial. Um modelo de aumento de preços vinculado à taxa de câmbio oficial da Venezuela está sendo estudado, disseram autoridades do governo.

Os departamentos de imprensa dos ministérios governamentais não responderam imediatamente a pedidos de comentários sobre a reunião.

O governo de Maduro está tentando contornar as sanções dos EUA e os congelamentos de ativos que estão paralisando as finanças do Estado e reduzindo a capacidade da Venezuela de operar no sistema financeiro global. O acesso limitado a matérias-primas, os controles de preços e a falta de dólares para importar produtos já levaram empresas multinacionais, como a Kellogg e a Kimberly-Clark, a abandonar o atribulado país.

O repentino surgimento de Juan Guaidó, o chefe da opositora Assembleia Nacional, e o apoio global que ele recebeu ao ser reconhecido como o líder legítimo da Venezuela, deu aos empresários e investidores uma nova dose de otimismo de que o fim do regime socialista de duas décadas poderia estar próximo. Ainda assim, dentro do país, Maduro continua controlando quase todas as alavancas do Estado.

Maduro continua contando com o apoio internacional da China, da Rússia e da Turquia, e a Índia se tornou um dos principais compradores de seu petróleo bruto, que previamente era enviado aos EUA.

Em outubro, os bancos privados foram encorajados pela autoridade monetária a abrir contas com o Evrofinance Mosnarbank, que tem sede em Moscou, a fim de liquidar as transações internacionais. O banco pertence parcialmente ao Estado venezuelano, e o restante está nas mãos dos bancos russos VTB Group e Gazprombank.

Embora o ritmo dos aumentos de preços nas últimas semanas tenha diminuído, a taxa de inflação anual atual é de 359.900 por cento, segundo o Cafe Con Leche Index, da Bloomberg. A recessão de cinco anos na Venezuela desgastou a demanda do consumidor e o poder de compra até o ponto em que um salário mínimo mensal não é suficiente para comprar uma refeição do McDonald's ou três litros de Pepsi.

Repórteres da matéria original: Patricia Laya em Caracas, playa2@bloomberg.net;Fabiola Zerpa em Caracas Office, fzerpa@bloomberg.net