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Agronegócio

Batalha do frango esquenta com pressão de EUA e China por acordo

Jenny Leonard, Shruti Date Singh, Lydia Mulvany e Jeff Black

01/03/2019 13h28

(Bloomberg) -- Enquanto o governo Trump se gaba do progresso de um acordo com a China para reformular a relação comercial, Pequim estaria pedindo uma concessão para o setor aviário.

A China está pedindo para enviar produtos feitos a partir de seus frangos para os EUA em troca da reabertura de seu mercado para as aves americanas após quatro anos, segundo uma pessoa com conhecimento a respeito da posição dos EUA nas negociações. O negócio aviário está em jogo nas intensas negociações comerciais entre os dois países, que podem terminar em acordo ainda neste mês, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada porque as negociações são confidenciais.

Os EUA estão pedindo que Pequim realize reformas significativas no setor aviário para aplacar antigas preocupações, disse a pessoa, acrescentando que existe um otimismo em relação às discussões sobre o assunto.

As negociações sobre o setor aviário vieram à tona recentemente, apesar de a soja ter estado no centro das atenções nos últimos meses. Em 23 de fevereiro, o secretário da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, confirmou que o setor aviário e commodities como carne bovina, arroz, milho, etanol e sorgo estão em discussão.

No caso do setor aviário, os EUA querem que a China elimine a proibição nacional e limite as futuras restrições ao entorno da área infectada, disse a pessoa. A China proibiu carnes de aves dos EUA em 2015 devido a um surto de influenza aviária, um vírus altamente patogênico. Quase todas as outras proibições nacionais após o surto foram canceladas.

O Departamento de Agricultura dos EUA encaminhou os pedidos de comentários ao escritório do Representante de Comércio, que não respondeu imediatamente. O Ministério do Comércio da China não respondeu a um pedido de comentário enviado por fax.

O desejo da China de exportar frango cozido para os EUA remonta a 2004, mas a proposta foi criticada. Atualmente, o país tem permissão para enviar aos EUA carnes de aves abatidas nos EUA ou em alguns outros países. Agora, como parte das negociações, o país pede aprovação para cozinhar seus próprios frangos e exportá-los para os EUA, segundo a pessoa.

Com a reabertura do mercado chinês, os EUA poderiam voltar a exportar pés, asas e coxas de frango ao país.

Mesmo antes da proibição, as exportações dos EUA para a China haviam diminuído porque o país asiático impôs tarifas às aves americanas em 2010. As tarifas foram suspensas há um ano, mas a proibição se manteve intacta. O mercado registrou pico de quase US$ 722 milhões em 2008 e caiu para cerca de US$ 315 milhões em 2014, um ano antes da proibição.

Nas negociações comerciais, a China ofereceu comprar um total de US$ 1,2 trilhão dos EUA em seis anos. Cerca de US$ 30 bilhões desse total poderiam vir de commodities agrícolas, noticiou a Bloomberg News na semana passada.

(Com a colaboração de Sarah McGregor, Brendan Murray e Shuping Niu)

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