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Corretora que processa BNP encontrou chapéu de bruxa em sua mesa

Jonathan Browning

07/03/2019 12h58

(Bloomberg) -- Uma corretora do BNP Paribas disse que enfrentou uma "campanha de assédio" no banco que culminou na manhã em que ela encontrou um chapéu de bruxa em sua mesa ao chegar no trabalho.

Stacey Macken, uma gerente de produtos de corretagem de primeira linha, foi informada de que o chapéu foi colocado lá por um grupo, incluindo o chefe da unidade, que havia saído para beber na noite anterior. Macken fez a acusação como parte de seu processo por discriminação sexual em um tribunal trabalhista de Londres.

"Fiquei chocada ao chegar ao trabalho e encontrar um chapéu de bruxa na minha mesa, fiquei me perguntando o que eu tinha feito para merecer aquilo", disse Macken em sua apresentação por escrito. O executivo envolvido no incidente já saiu do banco.

O caso surge em um momento em que a discriminação sexual no local de trabalho está sob maior escrutínio na esteira do movimento #MeToo. Em outro processo em Londres, o BNP enfrenta alegações de que um gerente chamou uma executiva do banco de "princesa" pelas costas dela.

Em processos trabalhistas no Reino Unido, a indenização limita-se a cerca de 84.000 libras (US$ 110.000), a menos que o trabalhador possa comprovar a discriminação ou que tenha sido demitido por denunciar ações impróprias. Macken pede mais de 4 milhões de libras em indenização, "incluindo danos por estigma", afirmou o BNP em uma apresentação por escrito.

'Maus tratos'

"Devido aos maus tratos que enfrentei no BNP, sinto que minha carreira está em farrapos e foi irremediavelmente prejudicada pelo fato de que eu queria resolver meus problemas de remuneração igualitária", disse Macken.

Macken afirmou que em seu primeiro dia no escritório, em 2013, seu gerente de linha, Denis Pihan, lhe disse que estava preocupado por contratar uma mulher.

"Ele disse que gostava do 'comportamento machista' e esperava que isso não mudasse com a chegada de mulheres na unidade", disse ela.

Em uma audiência anterior, Macken disse que ele deixou a avaliação de desempenho dela em uma mesa durante a noite. Ele "ficou lívido" quando ela o confrontou sobre isso.

Ela também disse que Pihan começou uma conversa sobre desempenho dizendo: "Nós não consideramos que este seja o banco certo para você. O que você quer fazer a respeito?". O BNP afirmou que Pihan se lembra da ocasião de forma diferente e que ele simplesmente perguntou se ela estava no cargo certo.

"De qualquer modo, a questão surgiu da preocupação do Sr. Pihan com o bem-estar da Sra. Macken", disse Daniel Stilitz, advogado do BNP Paribas, em um documento judicial.

Pihan não era um indivíduo bruto nem machista, disse ele.

"Não toleramos discriminação no ambiente de trabalho e estamos comprometidos em garantir um foco contínuo em nossa conduta e cultura", afirmou o BNP em comunicado enviado por e-mail. "Encorajamos todos os funcionários a denunciar quando vivenciam ou encontram qualquer comportamento que esteja abaixo de nossos padrões."