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Risco político sobe em emergentes, puxado por Índia e China

Srinivasan Sivabalan

07/03/2019 14h59

(Bloomberg) -- O risco político está aumentando nos países emergentes, com a China adotando uma postura mais agressiva no cenário global e a Índia, maior democracia do mundo, envolvida em um embate militar com o vizinho Paquistão antes das eleições.

Uma métrica customizada de risco baseada em índices da GeoQuant para dez países em desenvolvimento vem subindo há 23 semanas consecutivas, ultrapassando o pico anterior atingido em meio à briga comercial entre EUA e China. O agravamento da tensão contrasta com o movimento de alta que levou o MSCI Emerging Market Index para perto da maior pontuação em cinco meses.

O problema está na Ásia. Diplomatas chineses subiram o tom, acusando o Canadá de "supremacia branca", criticando a "chamada liberdade de expressão" da Suécia e afirmando que o presidente americano, Donald Trump, está tornando o país dele "inimigo do mundo inteiro".

Na Índia, a escalada da tensão militar com o Paquistão e o aumento do desemprego significam que a reeleição do primeiro-ministro Narendra Modi em maio não é mais dada como certa.

O avanço da métrica de risco surpreende alguns investidores, após o término do superciclo eleitoral na América Latina, que culminou na ascensão de líderes populistas no Brasil e México, e do esfriamento de tensões diplomáticas com Arábia Saudita e Turquia. Já Pequim e Washington estão mais próximos do encerramento da disputa comercial marcada pela elevação recíproca de tarifas de importação.

As questões da política global talvez sejam de natureza mais estrutural. Com a desaceleração do crescimento econômico, a postura agressiva da China na arena internacional não está agradando. A imperativa para os diplomatas é provar sua lealdade ao presidente Xi Jinping, o que dá mais margem a comentários apimentados. E mais países tem expressado receio com os investimentos feitos pelos chineses.

A isso se somam as acusações do governo americano contra a Huawei Technologies e alegações de espionagem. As ameaças políticas à expansão econômica da China começam a ganhar corpo.

Na Índia, a força da economia também pode ser ilusória. O ressurgimento da oposição, dificuldades no setor agrícola e a crise de desemprego abalam as chances de reeleição de Modi em maio.

Como se não bastasse, um ataque terrorista na Caxemira agravou a tensão entre Índia e Paquistão ? ambos detentores de armas nucleares e em conflito na região há 71 anos. Se a pressão eleitoral forçar políticos indianos a adotar linha dura contra o Paquistão, o resultado pode ser mais violência e caos.