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Proibição ao Boeing 737 Max se espalha pelo mundo e amplia crise

Kyunghee Park e Angus Whitley

12/03/2019 11h49

(Bloomberg) -- A Boeing está lidando com mais suspensões de voos de seu avião comercial mais importante depois que companhias aéreas de países como Brasil e Coreia do Sul decidiram manter o 737 Max em solo devido a um segundo acidente com mortes, o que aprofundou ainda mais a crise da fabricante americana.

Depois que a China se tornou, ontem, o primeiro grande mercado a interromper decolagens e aterrissagens do mais recente modelo de corredor único da Boeing, as suspensões de voos rapidamente se espalharam pelo mundo. Cingapura cancelou todas as chegadas e partidas de aviões 737 Max na cidade-estado, medida que foi copiada por Austrália e Malásia.

Também na Ásia, uma empresa aérea sul-coreana suspendeu o uso de seus aviões 737 Max, e na América Latina duas companhias aéreas suspenderam voos do jato, que começou a operar há poucos anos e se transformou no avião mais vendido da Boeing, com quase 4.700 encomendas. As suspensões tiraram de operação cerca de um terço da frota global, de 350 unidades.

Em um sinal de que a tragédia na Etiópia, que matou todos a bordo, pode se transformar em um fiasco comercial para a Boeing, a Lion Air, cliente desde o lançamento do avião, estaria estudando uma mudança completa para aviões da Airbus, disse uma pessoa familiarizada com as discussões, e suspendeu novas entregas do avião 737 Max previstas para este ano.

O acidente derrubou as ações da Boeing. As ações recuaram 5,3% na segunda-feira e voltaram a cair nesta terça-feira nos EUA já que os investidores estão ponderando a reação contra uma aeronave que responde por cerca de um terço do lucro operacional total.

A abordagem de risco zero das empresas aéreas e das autoridades da aviação na América do Sul e na Ásia contrasta com a confiança dos órgãos reguladores dos EUA em que a aeronave continua apta para voar. O acidente assustou empresas aéreas e passageiros e diminuiu a confiança neste jato amplamente utilizado porque o desastre na Etiópia teve semelhanças com a primeira queda de um 737 Max, há apenas cinco meses. Em ambos os casos, a aeronave caiu minutos após a decolagem porque os pilotos não conseguiram manter o controle.

Apesar de os dados do voo e os gravadores de voz da cabine terem sido recuperados do local do acidente, pouco se sabe até agora sobre os fatídicos momentos finais do voo 302 da Ethiopian Airlines, que fazia a rota de Addis Abeba a Nairóbi, no Quênia, com 157 pessoas a bordo. A maior empresa aérea da África recebeu seu primeiro 737 Max no fim de junho como parte de uma atualização da frota que também inclui o Boeing 787 Dreamliner, de corredor duplo, e o 777, um modelo maior.

Com as proibições em Cingapura e na Austrália, a versão mais recente do modelo mais vendido da Boeing agora está impedida de operar em um importante destino de longa distância, assim como no Changi, em Cingapura, o segundo aeroporto internacional mais movimentado da Ásia e um hub popular normalmente usado em conexões. O órgão regulador da aviação do país "reunirá mais informações e analisará o risco de segurança associado à continuidade da operação do Boeing 737 Max para chegadas e partidas de Cingapura", segundo um comunicado.

Avião cai com 157 pessoas a bordo na Etiópia

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