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Revisão da Neuberger Berman revela falhas na abordagem ao clima

Emily Chasan

18/03/2019 13h08

(Bloomberg) -- A Neuberger Berman iniciou uma revisão abrangente de seu portfólio de US$ 304 bilhões no ano passado, especificamente para entender como seus investimentos serão afetados pelas mudanças climáticas. O veredicto saiu, e não é bom.

"A infeliz conclusão geral é que os mercados desenvolvidos não estão no caminho certo", disse Jonathan Bailey, diretor de investimentos ESG da Neuberger Berman.

Com a ajuda de três cientistas de clima que começaram a trabalhar na empresa em novembro, a Neuberger Berman planeja levar as empresas ao progresso -- e rapidamente. Se não estiver satisfeita, a firma pode reconsiderar os investimentos, disse Bailey.

A revisão do portfólio oferece algumas informações úteis. As empresas europeias estão mais bem preparadas para os impactos das mudanças climáticas do que as concorrentes americanas. As empresas que operam no interior dos EUA talvez estejam subestimando os riscos apresentados pelo aumento do calor e dos incêndios florestais. Com a matriz atual de geração de energia, muitas distribuidoras de eletricidade dos EUA não serão viáveis em 15 anos.

"Vemos empresas sem valor real em um cenário com 2 graus Celsius a mais", disse Bailey, citando o aumento de temperatura que, segundo cientistas, é o máximo de aquecimento tolerável. "Observando o setor de petróleo e gás, nota-se que ele não está no caminho certo para um mundo dois graus mais quente e que ele não acredita que isso acontecerá."

Pressionadas por investidores, algumas das maiores empresas de petróleo e gás começaram a se planejar para o aquecimento global. A Shell anunciou neste mês que planeja se transformar em uma empresa de eletricidade. A norueguesa Statoil passou a se chamar Equinor e agora destaca seu negócio de energia eólica offshore.

As empresas de capital aberto estão enfrentando cada vez mais pressão dos investidores para examinar e divulgar seu estado de preparação para a mudança climática. Menos de 200 empresas em todo o mundo se comprometeram formalmente a realizar suas operações em consonância com as metas climáticas globais, segundo a Iniciativa de Metas Baseadas na Ciência.

A Neuberger Berman também planeja integrar mais fortemente o risco climático aos seus negócios, assim como ao seu portfólio, atribuindo a responsabilidade de gerenciar esse risco ao seu conselho de administração.