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Produtores de soja uruguaios adiam venda à espera de preço maior

Ken Parks

22/03/2019 15h20

(Bloomberg) -- Os produtores rurais uruguaios estão se recusando a vender a soja da próxima safra à espera de preços melhores, mesmo correndo o risco de criar uma desordem logística, segundo uma das maiores empresas agrícolas do país.

"Não temos uma única tonelada de soja com preço fixado", disse José Pedro Sánchez, CEO da Agriculture Investment Group. "Não me lembro de isso ter acontecido antes. E estou neste negócio desde 2007."

Muitos fazendeiros calculam um preço local de US$ 340 a US$ 350 por tonelada, que inclui um desconto habitual de US$ 15 a US$ 20 sobre o preço de referência de Chicago, disse Sánchez. O contrato de soja para julho em Chicago está sendo negociado a cerca de US$ 339 por tonelada, segundo dados compilados pela Bloomberg.

"Seria preciso pagar US$ 340 a tonelada para que o produtor daqui começasse a vender", disse Sánchez, cuja empresa possui cerca de 80.000 hectares e administra um negócio de trading de grãos e abastecimento agrícola.

O Uruguai é um dos 10 maiores exportadores globais de soja e a oleaginosa é uma importante fonte de moeda forte, somando US$ 526 milhões em remessas no ano passado. O setor agrícola deve produzir cerca de 2,5 milhões de toneladas de soja depois que uma seca profunda provocou a segunda menor safra em uma década em 2018, de apenas 1,5 milhão de toneladas, segundo relatório da consultoria Deloitte.

Se as vendas não se concretizarem no começo da colheita, em meados de abril, os dólares trazidos pela soja demorarão mais para chegar. Além disso, a limitada capacidade dos silos do setor será colocada à prova, porque os navios graneleiros aparecerão mais tarde que o normal nos portos uruguaios.

O resultado das vendas tardias seria custos mais altos e possivelmente preços mais baixos para os produtores, que ainda estão equilibrando os balanços após a seca do ano passado, disse Sánchez.

Sánchez afirma que mesmo que acabem vendendo aos preços de hoje, os agricultores ainda deverão lucrar com essa safra, que pode chegar a pelo menos 2,8 milhões de toneladas se a colheita não for atrapalhada por chuvas fortes.

A Agriculture Investment Group, ex-Union Agriculture Group, está pedindo a acionistas como a China Investment US$ 20 milhões em capital novo em um momento em que se concentra em reduzir custos e dívidas com o objetivo de gerar lucro no ano fiscal de 2020, disse Sánchez.

A empresa considera pedir mais capital aos acionistas ou vender até 10.000 hectares para reduzir sua dívida pela metade, para cerca de US$ 40 milhões até o próximo mês de março, disse.

Entre as medidas de redução de custo estão a retirada da subsidiária agrícola Union Agriculture Group da Bolsa de Valores de Montevidéu neste mês, disse Sánchez.

--Com a colaboração de Michael Hirtzer.