PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Economistas aprovam virada de postura do BC dos EUA, diz pesquisa

Christopher Condon e Catarina Saraiva

25/03/2019 15h40

(Bloomberg) -- O banco central dos EUA está acertando na política monetária, após a virada nas últimas semanas na direção de uma postura decididamente mais branda do que no fim de 2018. Esta é a conclusão de uma sondagem da Bloomberg com economistas.

Entre os que responderam a um questionário que circulou nos dias 21 e 22 de março, pouco menos da metade aprovou a perspectiva do Federal Reserve para os juros. Para 37 por cento, a postura de acomodação é exagerada e14 por cento expressaram a opinião de que a instituição está rigorosa demais.

Na semana passada, o comitê de política monetária (Federal Open Market Committee ou FOMC) sinalizou que dificilmente subirá os juros neste ano. Ainda em dezembro, as autoridades previam dois acréscimos na taxa básica em 2019.

Somente parte dessa mudança era esperada. O presidente do Fed, JeromePowell, foi além na entrevista coletiva realizada após a reunião do comitê, em 20 de março, afirmando que a inflação baixa demais era "um dos maiores desafios do nosso tempo''.

Depois da reunião do Fed, pouco mais da metade dos economistas participantes reduziu a projeção para alta de juros neste ano. Entre os 37 sondados, 20 agora acham que o Fed não vai mais elevar os juros neste ciclo. O mercado de juros futuros mostra aumento das apostas em corte de juros antes do fim do ano.

Para 25 por cento dos economistas ouvidos, as críticas do presidente Donald Trump ao fato de o Fed ter subido os juros quatro vezes em 2018 tiveram "algum impacto" na mudança de postura da instituição. Para os outros 75 por cento, os comentários de Trump não tiveram efeito.

O presidente americano criticou as altas de juros pelo Fed em sua conta no Twitter e em entrevistas. A Bloomberg News relatou que ele chegou a discutir a demissão de Powell após o aumento de juros de dezembro.

Na sexta-feira, Trump escolheu um novo integrante para o comitê do Fed, Stephen Moore, que ainda precisa do aval do Senado. Após a notícia de que tinha sido escolhido pela Casa Branca, Moore declarou em entrevista à Bloomberg Television que a decisão do Fed em dezembro tinha sido "um erro muito substancial".