PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Casas personalizadas em Hong Kong estão à venda por US$ 75 mi

Frederik Balfour

28/03/2019 11h36

(Bloomberg) -- Os ricaços do planeta estão acostumados a toques personalizados ? de roupas sob medida a assessoria financeira. Mas o que acontece quando esta abordagem é aplicada a imóveis residenciais e levada ao extremo?

Loewe Lee, empresário de Hong Kong de 39 anos que já trabalhou no JPMorgan Chase, oferece como resposta um condomínio de casas em um terreno com vista para o Mar do Sul da China. São imóveis de alta qualidade, porém não só isso.

Cinco das sete residências foram equipadas com tudo o que um multimilionário poderia desejar nos dias de hoje. Tapetes persas, taças de cristal e talheres da marca Christofle. Há quadros nas paredes e livros de arte em disposição perfeita. O comprador só precisa trazer a mala e US$ 75 milhões.

"Nosso alvo são pessoas sofisticadas, viajadas e bem de vida que talvez tenham montado casas várias vezes na vida", disse Lee, que vem de uma família que enriqueceu vendendo carrilhões e relógios de quartzo. "Eles contam que é um pesadelo."

É para quem tem pouco tempo, mas dinheiro de sobra. Há muita gente assim em Hong Kong, onde os preços dos imóveis são os menos acessíveis do mundo.

Mas ainda se trata de uma abordagem heterodoxa para a venda de residências ultraluxuosas ? afinal, compradores com tantos recursos podem contratar decoradores e consultores.

Lee diz que a diferença está nos detalhes. Ele hoje é diretor-gerente da NationalElectronics Holdings, empresa listada em Hong Kong que colocou sua divisão imobiliária em parceria com a BPEA Real Estate para tocar o projeto.

O empresário aponta o que somente olhos bem treinados enxergam: o padrão de cores nas pedras de mármore Carrara, a bandeja de couro embutida no closet para facilitar a colocação de acessórios. O condomínio tem jardins impecáveis e cada casa tem sua piscina com borda infinita.

Duas das residências foram projetadas pela dupla parisiense Gilles & Boissier, que fez os hotéis Baccarat, em Nova York, e Mandarin Oriental, em Marrakech. Essas casas são bem contemporâneas, com paleta de cores neutras e acabamentos discretos. Duas outras casas são mais chamativas, projetadas pelo arquiteto local Joseph Fung, que carregou no vermelho e no dourado, estilo que costuma atrair compradores da China continental. Uma quinta casa ainda não foi apresentada a potenciais compradores. Quem projetou foi o italiano Michele Bonan, que Lee descobriu quando se hospedou no Hotel Portrait Suites, em Roma. Lee gostou tanto dele que o contratou para fazer o interior de seu iate Benetti. As duas casas restantes serão vendidas sem mobília.

O condomínio de sete casas é o primeiro projeto imobiliário que Lee supervisionou do começo ao fim, seguindo os passos de seu pai, Jimmy Lee, que saiu do ramo de relógios para o de residências de luxo no início da década de 1990.

"Loewe herdou do pai a paixão e a atenção aos detalhes. Ele trouxe uma pessoa da Itália para pintar um mural e demorou um mês", lembra Richard Yue, que já foi diretor de investimentos da AIG Global Real Estate, empresa que desenvolveu projetos residenciais com a família Lee no passado. "Nós vendíamos para a nata da elite de Hong Kong."