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Ações da Tesla recuam com suspensão de planos com a Panasonic

Pavel Alpeyev

11/04/2019 14h13

(Bloomberg) -- As ações da Tesla desabaram após o jornal Nikkei noticiar que, diante da incerteza em relação à demanda por veículos elétricos, a montadora e a Panasonic suspenderam o plano de expandir a capacidade da fábrica que mantêm em parceria nos EUA, avaliada em US$ 4,5 bilhões.

A dupla pretendia ampliar a capacidade da gigantesca fábrica localizada nos arredores de Reno, no Estado de Nevada, em aproximadamente 50 por cento até 2020. No entanto, problemas financeiros forçaram as parceiras a reavaliar o plano, noticiou o jornal sem citar a fonte da informação. A Panasonic também pretende suspender investimentos planejados na fábrica de baterias e veículos elétricos da Tesla em Xangai, segundo a reportagem. Em vez disso, a companhia japonesa agora pretende oferecer apoio técnico e uma quantidade modesta de baterias produzidas na planta nos EUA, acrescentou o jornal.

"É claro que continuaremos a fazer novos investimentos na Gigafactory 1, conforme necessário", disse um porta-voz da Tesla em um comunicado enviado por e-mail, referindo-se à fábrica de Nevada. "No entanto, achamos que há muito mais a ganhar com a melhoria do equipamento de produção existente do que o estimado anteriormente."

"A Panasonic estudará investimentos adicionais acima de 35 GWh em colaboração com a Tesla", afirmou a empresa à Bloomberg News quando indagada sobre a reportagem.

As ações da Tesla chegaram a cair 3,8 por cento no intradiário, para US$ 265,60 na bolsa americana. O papel acumula perda de 19 por cento neste ano.

Queda recorde

A queda recorde nas entregas da Tesla durante o primeiro trimestre intensificou as preocupações em relação à demanda pelo Model 3, o último lançamento e modelo mais barato da marca. Nos EUA, os subsídios aos carros elétricos diminuíram, enquanto a empresa enfrenta dificuldades para vender automóveis na China e Europa. O cofundador Elon Musk reiterou a projeção de entrega de 360.000 a 400.000 veículos em 2019, mas a cautela dos investidores prevalece, dado o histórico da Tesla de não atingir previsões ambiciosas.

"O ambiente para a Tesla está ficando mais difícil e há perguntas sobre a capacidade da Tesla de entregar lucros sustentáveis", disse Sven Diermeier, analista da Independent Research em Frankfurt. De acordo com ele, outras grandes montadoras estão finalizando suas próprias linhas elétricas e conseguem aproveitar o retorno maior gerado por carros com motor a combustão.

Investidores também se preocupam com a situação financeira da Tesla. A companhia precisou liquidar US$ 920 milhões em títulos conversíveis em fevereiro, o que corroeu o caixa, que estava em US$ 3,7 bilhões no fim do ano passado. Musk havia alertado que a companhia provavelmente registraria prejuízo no primeiro trimestre. A Tesla fez uma emissão de títulos de US$ 566 milhões que vencem agora em novembro. A empresa garante que tem fluxo de caixa suficiente para honrar as dívidas.

O Model 3 é vendido nos EUA desde 2017, mas as vendas se desaceleraram com a retirada de alguns incentivos fiscais. No primeiro trimestre, a Tesla entregou 63.000 veículos. No último trimestre do ano passado, foram 90.966.

A aposta do presidente da Panasonic, Kazuhiro Tsuga, na Tesla também causa receio. A montadora enfrentou o que Musk chamou de "inferno" no processo de expandir a produção do Model 3 no ano passado. A produção na gigantesca fábrica em Nevada aumentou e as vendas também, mas o negócio ainda não contribui substancialmente para os lucros da companhia japonesa.

--Com a colaboração de Anthony Palazzo e Elisabeth Behrmann.

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