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Israelenses imprimem coração em 3D com células do paciente

Michael S. Arnold

15/04/2019 14h06

(Bloomberg) -- Pesquisadores israelenses imprimiram um coração em 3D usando as próprias células de um paciente, algo que, segundo eles, pode ser usado para tratar doenças coronárias - e, possivelmente, transplantes completos.

O coração impresso pela Universidade de Tel Aviv em cerca de três horas é pequeno demais para humanos - cerca de 2,5 centímetros, ou do tamanho do coração de um coelho. Mas é o primeiro a ser impresso com todos os vasos sanguíneos, ventrículos e cavidades, usando uma tinta feita a partir dos próprios materiais biológicos do paciente.

"É completamente biocompatível e combina com o paciente", reduzindo as chances de rejeição no corpo, disse Tal Dvir, professor que coordenou o projeto.

Os pesquisadores usaram o tecido adiposo de um paciente e depois o separaram em componentes celulares e não celulares. As células foram então "reprogramadas" para se tornarem células-tronco, que se transformaram em células cardíacas. Os materiais não celulares foram transformados em um gel que serviu como biotinta para impressão, explicou Dvir.

Anteriormente, apenas tecidos simples - sem os vasos sanguíneos necessários para viver e funcionar - foram impressos, segundo um comunicado da universidade. A descoberta foi publicada na segunda-feira em artigo na Advanced Science.

"Os pacientes não terão mais que esperar por transplantes ou tomar medicamentos para evitar a rejeição", segundo o comunicado. "Em vez disso, os órgãos necessários serão impressos, totalmente personalizados para cada paciente."

Em uma sala com um labirinto de laboratórios, uma imensa impressora 3D enviava uma fina camada de "biotinta" para um pequeno recipiente quadrado. Dentro havia um pequeno coração do tamanho e cor de várias borrachas de lápis.

As células precisam amadurecer por mais um mês e, em seguida, devem ser capazes de realizar batidas e contrações, disse Dvir. Os corações impressos podem ser testados em animais, mas não há um prazo para testar corações em humanos, disse.

Um coração de tamanho humano pode levar um dia inteiro para ser impresso e exigiria bilhões de células, em comparação com as milhões usadas para imprimir esses mini-corações, disse Dvir.

Embora não esteja claro se uma impressora pode produzir corações maiores que os dos humanos, "talvez imprimindo fragmentos podemos melhorar ou remover áreas doentes do coração e substituí-las por algo que funcione" perfeitamente, disse.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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