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Rede de saladas nos EUA volta a aceitar dinheiro como pagamento

Kate Krader

25/04/2019 13h59

(Bloomberg) -- Em dezembro de 2016, a rede de restaurantes de saladas Sweetgreen deixou de aceitar dinheiro nas unidades dos Estados Unidos. A mudança provocou uma polêmica imediata, mas a empresa levou mais de dois anos para reverter a decisão.

Na quinta-feira, a Sweetgreen anunciou que seus seis restaurantes em Filadélfia aceitarão novamente dinheiro vivo a partir de 1º de julho. Até 30 de setembro, todas as 94 unidades da rede aceitarão dinheiro. (Em Boston, onde a legislação vigente proíbe varejistas de recusar pagamentos em dinheiro, as 15 unidades da Sweetgreen nunca deixaram de aceitar papel-moeda.) A rede, atualmente avaliada em mais de US$ 1 bilhão, espera aumentar o número de restaurantes para 110 até o final de 2019.

A Câmara Municipal de Filadélfia aprovou em fevereiro uma lei proibindo lojas de não aceitar dinheiro. Especialistas argumentam que a prática discrimina clientes que podem não ter acesso a linhas de crédito ou aplicativos de pagamento móvel. Cerca de 6% dos residentes em Filadélfia não têm conta bancária, segundo pesquisa da Federal Deposit Insurance. Mais cidades propuseram proibições, como Nova York e São Francisco; em 18 de março, o estado de Nova Jersey tornou obrigatório que estabelecimentos comerciais aceitem dinheiro.

O cofundador e copresidente da Sweetgreen, Nicolas Jammet, diz que a rede passou a usar o sistema sem dinheiro para atrair consumidores mais jovens que preferem pagamentos eletrônicos. "Acreditávamos que havia muitas vantagens que beneficiariam a comunidade Sweetgreen, como a segurança dos funcionários - reduzindo casos de roubos -, e que isso aceleraria o serviço em nossos restaurantes", diz. O modelo também foi adotado por outras redes do segmento como Dig Inn e Chopt Creative Salad.

Agora a empresa está respondendo às demandas. A nova legislação em Filadélfia "não nos pegou de surpresa", diz Jammet. Segundo ele, a empresa estava seriamente reavaliando sua política havia seis meses. "Como negócio, estamos em um lugar muito diferente do que estávamos três anos atrás, e isso requer evolução." A Sweetgreen está testando equipamentos (como caixas registradoras) e processos (coletas e entregas com veículos blindados e consultores de proteção de ativos) para implementar a mudança. A empresa diz que, por estar em processo de teste, não tem como quantificar os custos para fazer a alteração.

A rede estima que 5% dos clientes farão seus pagamentos em dinheiro.

O próprio Jammet ainda ocasionalmente usa dinheiro para fazer compras. "É raro, mas, às vezes, quando estou tomando um café ou compro algo na feira, será uma transação em dinheiro", afirma. O executivo não disse, no entanto, se testaria o novo serviço na próxima vez que pagar por uma salada de frango com pesto.