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Casas de banho tradicionais do Japão atraem grandes investidores

Takahiko Hyuga

2019-05-16T15:45:14

16/05/2019 15h45

(Bloomberg) -- Diante do crescente fluxo de turistas estrangeiros ao Japão, um dos principais termos de busca na internet é "onsen", as tradicionais casas de banho com águas termais onde viajantes têm mergulhado desde os tempos dos samurais. Agora, um dos negócios mais antigos do mundo está atraindo capital novo.

Fundos de private equity como o Fortress Investment, do SoftBank, e Odyssey Capital, de Hong Kong, estão investindo bilhões para explorar o apelo de pousadas tradicionais em meio a um boom turístico antes das Olimpíadas de Tóquio no ano que vem. Os grandes fundos entram nesse mercado em um momento em que casas de banho centenárias, muitos delas de controle familiar, tentam encontrar sucessores em um país que envelhece e onde pequenas cidades e aldeias enfrentam a migração de jovens.

A Odyssey, juntamente com dois outros investidores, comprou no ano passado seu primeiro onsen japonês, uma pousada com 28 quartos com piso de tatami perto do Mar do Japão, chamada Kagetsu, ou "lua florida". Christopher Aiello, diretor-gerente do braço imobiliário no Japão da Odysey, disse que a empresa planeja investir US$ 500 milhões nos próximos três anos com a compra cerca de 20 hotéis japoneses mais tradicionais, conhecidos como ryokan.

"O setor hoteleiro japonês tem enormes oportunidades de investimento", disse Aiello em entrevista. "Muitos desses ryokan estão muito desvalorizados depois de muitos períodos de recessão e má administração, mas vários deles estão localizados em belos cenários naturais."

Na Kagetsu, a neta do fundador, Tomoko Tomii, recebe seus convidados na entrada de pedra da pousada com um delicado vestido rosa-claro como um quimono. Aos 40 anos, ela diz que a família decidiu vender o negócio para o Odyssey no ano passado, porque as dívidas se acumularam e precisavam de dinheiro para modernizar os quartos e criar um site em inglês.

Fontes termais japonesas também se tornaram alvo de investimento de outras grandes empresas. A Breezbay Hotel, com sede em Yokohama, pretende comprar 100 alojamentos e pousadas onsen nos próximos cinco anos, segundo o presidente da empresa, Noritada Tsuda.

A Bain Capital vem comprando onsens desde 2015, quando investiu em uma rede de 29 spas e resorts japoneses, incluindo uma unidade em uma ilha artificial na Baía de Tóquio. No mês passado, a firma de private equity com sede em Boston inaugurou uma unidade com vista para o mar na prefeitura rural de Mie, elevando o número de seus ativos hoteleiros no Japão para 36 e ??com planos de comprar mais.

O Fortress, fundo com sede em Nova York adquirido em 2017 pelo SoftBank por US$ 3,3 bilhões, também aposta neste mercado. Em fevereiro, o fundo abriu um spa no centro de Osaka, do tamanho de dois quarteirões, onde turistas podem mergulhar em banheiras à beira de um tradicional jardim japonês, com um complexo de hotéis e shoppings ao lado e uma torre de 51 andares acima. É um novo experimento que transplanta a experiência do onsen para o coração de uma das metrópoles mais iluminadas do Japão.

Thomas Pulley, diretor de investimentos para setor imobiliário global do Fortress, viajou cinco vezes ao país durante a construção do resort para escolher pessoalmente as cerejeiras e banheiras de barro usados ??nos quartos privados ao ar livre. As banheiras custam cerca de US$ 20 mil cada.

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