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Ofensiva de Trump contra Huawei afeta fornecedores globais

Ian King, Mark Bergen e Ben Brody

20/05/2019 14h07

(Bloomberg) -- O impacto das ameaças da administração Trump para encurralar a Huawei Technologies reverberou em toda a cadeia de fornecimento global na segunda-feira, atingindo alguns dos maiores fabricantes de componentes do mundo.

Fabricantes de chips como Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom disseram a seus funcionários que as encomendas para a Huawei estão suspensas até segunda ordem, segundo pessoas com conhecimento do assunto. A Alphabet, que controla o Google, suspendeu o fornecimento de hardware e alguns serviços de software para a gigante chinesa de equipamentos de telefonia móvel, disse outra pessoa, que pediu para não ser identificada comentando assuntos internos da empresa.

Na sexta-feira, a administração Trump incluiu a Huawei em sua lista negra - com a justificativa de que a empresa chinesa ajuda Pequim em práticas de espionagem - e ameaçou banir a empresa de programas e semicondutores usados pelos EUA para fabricar seus produtos. A proibição, que já era esperada, imobiliza a maior fornecedora mundial de equipamentos de rede e a segunda maior fabricante de smartphones do mundo.

Bloquear a venda de componentes críticos para a Huawei também pode afetar os negócios das gigantes americanas de chips, como a Micron Technology, e atrasar o lançamento de redes sem fio 5G, fundamentais em todo o mundo - inclusive na China. Isso, por sua vez, pode prejudicar as empresas americanas que dependem cada vez mais da segunda maior economia do mundo para crescer.

As fabricantes de chips e outras empresas estão sob pressão, em parte porque vão perder receita sem a Huawei como cliente. Mas o setor de tecnologia também pode sofrer um impacto mais profundo. A Huawei depende de muitas empresas dos EUA para componentes usados em seus equipamentos 5G.

Se totalmente implementada, a medida da administração Trump poderia se propagar por todo o setor global de semicondutores. A Intel é a principal fornecedora de chips para servidores da empresa chinesa; a Qualcomm fornece processadores e modems para muitos de seus smartphones; a Xilinx vende chips programáveis usados em redes; e a Broadcom é fornecedora de chips de comutação, outro componente importante em alguns tipos de equipamentos de rede. Representantes das fabricantes de chips não quiseram comentar.

Na Europa, o impacto da medida também foi sentido, embora as empresas do continente apenas tenham sido restringidas no fornecimento de pesquisas ou produtos fabricados nos EUA.

Um porta-voz da alemã Infineon disse que a maioria dos produtos fornecidos para a Huawei não está sujeita às restrições dos EUA, acrescentando que a fabricante de chips pode "fazer adaptações em nossa cadeia internacional de suprimentos". A AMS também disse que não havia suspendido as encomendas para a Huawei.

A repressão americana também atinge diretamente a divisão de dispositivos móveis de rápido crescimento da Huawei. A empresa chinesa só poderá acessar a versão pública do sistema operacional Android do Google, o software de smartphone mais popular do mundo. A empresa está impedida de oferecer aplicativos e serviços proprietários como Google Maps, busca e Gmail, disse uma pessoa que pediu anonimato. A medida pode reduzir muito a venda de smartphones da Huawei no exterior, embora não esteja claro quando esses aplicativos - que são populares principalmente fora da China - ficarão indisponíveis.

A Huawei informou que vai continuar a fornecer atualizações de segurança e serviços de vendas aos clientes usando o sistema operacional Android do Google, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.

--Com a colaboração de Yuji Nakamura, Gao Yuan, Cindy Wang e Neha D'silva.

Repórteres da matéria original: Ian King em São Francisco, ianking@bloomberg.net;Mark Bergen em São Francisco, mbergen10@bloomberg.net;Ben Brody em Washington, D.C., btenerellabr@bloomberg.net