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Goldman Sachs prepara mais investimentos em fintechs na AL

Cristiane Lucchesi

10/07/2019 07h02

(Bloomberg) -- Mais de 1.100 startups de tecnologia financeira estão apostando que podem lucrar na América Latina.

E o Goldman Sachs Group Inc. está apostando que pode encontrar vencedores.

O grupo de situações especiais do banco está procurando investir em fintechs em toda a região, entre algums outros setores, de acordo com Gaurav Seth, sócio que lidera o negócio nas Américas. Depois de ajudar o crescimento de uma empresa que agora é uma das maiores emissoras de cartões de crédito do Brasil, sua equipe diz que outras startups podem oferecer mais serviços financeiros para uma parcela maior da crescente população da América Latina.

"A penetração dos bancos em geral é menor" na região, disse Seth em uma entrevista. O Goldman Sachs visa identificar empresas promissoras e fornecer-lhes financiamento ou até mesmo capital, aumentando quantias conforme necessário. "Qualquer fintech, se for bem sucedida, vai precisar de mais capital", disse ele.

O interesse nas startups latino-americanas é impulsionado em parte pelos investimentos bem-sucedidos do Goldman Sachs na Nu Pagamentos SA, amplamente conhecida no Brasil como Nubank. Fundada em 2013, a empresa já tem 10 milhões de clientes e é a quinta maior emissora de cartões de crédito do país, atingindo um valor de US$ 3,6 bilhões em uma rodada de captação de recursos no ano passado. O Goldman emprestou à Nubank R$ 200 milhões em 2016 e, em agosto de 2017, expandiu a linha de crédito para R$ 455 milhões em um empréstimo do qual também participou o Fortress Investment Group.

No início deste ano, o grupo de situações especiais do Goldman também concordou em fornecer à Credijusto Inc., do México, uma linha de crédito de US$ 100 milhões para apoiar empréstimos a pequenas e médias empresas.

A ideia é que as startups possam usar suas plataformas digitais para operar com mais eficiência do que os bancos locais, oferecendo produtos de baixo custo, incluindo empréstimos, e potencialmente atendendo a consumidores que antes estavam fora do alcance do sistema financeiro. Há espaço para crescimento: os empréstimos bancários representavam 16% do Produto Interno Bruto na Argentina, 36% no México, 49% na Colômbia e 60% no Brasil em 2017, segundo o Banco Mundial. Isso se compara a 191% nos EUA em 2016, disse o Banco Mundial.

O Goldman não está sozinho em identificar a oportunidade: o número de startups no setor de fintechs na América Latina saltou para 1.166 em 2018 de 703 um ano antes, de acordo com um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Finnovista. A indústria atraiu cerca de US$ 695 milhões em venture capital em 161 negócios de 2017 a 2018, de acordo com a LAVCA, uma associação de investimento de private equity na região. Isso foi mais do que qualquer outro setor.

O Goldman criou seu grupo de situações especiais há mais de uma década, a partir de uma coleção de carteiras de trading no exterior e de unidades de empréstimo. Posteriormente, o banco transferiu os ganhos do grupo da divisão de trading para a de investimentos e empréstimos. Este ano, mudou a unidade novamente para a área de merchant bank. E agora está planejando criar uma unidade reunindo os negócios de private equity dentro do banco.

Além das fintechs, o Goldman está buscando oportunidades nos setores imobiliário, de saúde, tecnologia, e companhias aéreas, disse Seth. Sua equipe pode contratar executivos como parte desse impulso, disse ele, observando que não há uma meta específica para isso.

O grupo concluiu mais de 15 negócios na América Latina, incluindo investimentos em ações, crédito e títulos híbridos. Contratou o ex-co-responsável pelo banco de investimento do Morgan Stanley na América Latina, Marcelo Naigeborin, para o negócio no Brasil em 2016. O grupo fornece capital para empresas que vão desde startups, ou "clientes em estágio inicial", até empresas que estão "enfrentando stress e precisam de ajuda ", disse Seth.

"O que podemos fazer é basicamente ajudar as empresas que não são atendidas pelo setor bancário tradicional, pois não têm histórico suficiente ou não são grandes o suficiente", disse Seth. "A América Latina é um foco significativo para nós e uma área significativa de crescimento futuro."