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Influencers buscam ajuda de Wall Street para administrar fortuna

Jasmine Teng

17/07/2019 15h02

(Bloomberg) -- Jenn Im começou a gravar vídeos no YouTube como hobby há nove anos, uma forma de expressar seu prazer em transformar peças usadas em roupas com estilo.

Criar conteúdo para seu canal logo virou obsessão. Quando terminou a faculdade em 2013, já ganhava dinheiro suficiente para seu sustento. Agora Im tem mais de 2,4 milhões de assinantes, acordos de patrocínio com empresas como Levi Strauss, Calvin Klein e Colourpop Cosmetics, e até mesmo sua própria grife de roupas.

No entanto, à medida que ganhava dinheiro, não tinha certeza do que fazer com a crescente fortuna, a maioria depositada em uma conta bancária que rendia pouco ou nada. Foi então quando entrou em contato com a gestora de recursos First Republic Bank.

"Na minha infância, o dinheiro sempre foi um problema em nossa casa e, por mais que meus pais quisessem se envolver, não tinham nenhum conhecimento sobre investimentos ou planejamento financeiro", disse Im, de 28 anos, por e-mail. "Também foi difícil porque senti que algumas das equipes não entendiam o meu negócio ou o espaço de mídia digital."

Influenciadores como Im, que podem faturar na casa de sete dígitos atraindo uma multidão de seguidores digitais, agora chamam a atenção de gestores de fortunas que tentam aumentar sua base de clientes.

Embora muitos vloggers do YouTube apresentem produtos como cosméticos ou roupas, outros acumulam milhões de visualizações postando vídeos de si mesmos comendo quantidades minúsculas de comida, compartilhando os preparativos de cinco dias para o festival de música Coachella ou simplesmente reagindo a outros vídeos.

Mas o setor não está para brincadeiras. Espera-se que o mercado de publicidade de influenciadores gere entre US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões até 2020, segundo a empresa de marketing Mediakix.

"Os influenciadores perceberam que precisam de consultores de patrimônio no início de suas carreiras", disse John Mele, diretor executivo da unidade de esportes e entretenimento do Morgan Stanley. "São igualmente sérios sobre monetizar sua marca, bem como proteger e aumentar o dinheiro que ganham com isso."

Tyler Pappas, também conhecido como Logdotzip, conquistou a fama quando um de seus vídeos de jogos no YouTube se tornou viral. Em três meses, sua situação financeira mudou completamente: antes mal tinha dinheiro para pagar as contas de luz e água e agora mora no seu próprio imóvel.

Em vez de depender de consultores de fortunas mais tradicionais para ajudar a administrar seu patrimônio, Pappas procurou Mike Bienstock, fundador da Semaphore, uma empresa que oferece soluções tributárias e comerciais especificamente para os YouTubers.

"Não é que eu não tenha avaliado outras coisas, como bancos", disse Pappas, 27 anos, acrescentando que agora tem uma renda anual de seis dígitos e administra uma produtora com oito funcionários. "É que eu nem sabia que existiam."

"Não são pessoas que tinham muito dinheiro e decidiram abrir um negócio", disse Bienstock, que mora em Irvine, Califórnia. "É praticamente fortuna de primeira geração."

Como resultado, o relacionamento de gestores tradicionais de fortunas com os clientes "precisa ser autêntico, intencional e genuíno", disse Mason Champion, vice-presidente sênior do grupo de esportes e entretenimento do Morgan Stanley.