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Energia limpa impulsiona fusões e aquisições no Brasil, diz KMPG

Sabrina Valle

28/08/2019 09h35

(Bloomberg) -- As fusões e aquisições no setor de energia do Brasil podem bater recorde este ano, com a compra de ativos de energia renovável por investidores chineses e grandes petroleiras europeias, segundo a empresa de auditoria KPMG.

Dos 29 negócios do setor no primeiro semestre - um salto de 71% na comparação com o mesmo período do ano passado -, 17 ou 18 estavam associados a projetos de energia renovável, disse Paulo Coimbra, sócio da KPMG no Brasil. Com mais negócios a serem fechados no segundo semestre, o número de transações no setor de energia deve superar o recorde de 61 acordos em 2006, segundo a KPMG.

"É uma questão de sobrevivência", disse Coimbra em entrevista no escritório da Bloomberg no Rio de Janeiro. "Solar e eólica estão se tornando mais competitivas. Quem estiver sentado em uma enorme quantidade de reservas de petróleo pode enfrentar dificuldades no futuro."

O aumento das fusões e aquisições este ano foi impulsionado por acordos como a venda de projetos de energia solar e eólica para a francesa Total e para a chinesa CGN Energy International. É um forte contraste em relação ao menor interesse da Petrobras em ativos de energias renováveis sob o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Na administração de Bolsonaro - que gerou polêmica ao criticar os apelos do presidente francês para combater os incêndios na Amazônia -, a Petrobras intensificou os esforços para se concentrar apenas na produção de petróleo, mesma estratégia adotada pelas americanas Exxon Mobil e Chevron.

Enquanto Total, Royal Dutch Shell e a norueguesa Equinor se comprometeram a investir mais em energia limpa no Brasil, a estatal brasileira praticamente abandonou os planos de investir em projetos de energia solar e eólica iniciados pelos dois antecessores do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

"Há muito marketing e pouca ação" entre petroleiras internacionais em energia renovável, disse Castello Branco este mês. "Não é porque a Shell está fazendo que vou copiar."

A meta do governo Bolsonaro de vender ativos estatais tem sido um dos principais fatores por trás do aumento nos negócios no primeiro semestre. As transações de fusões e aquisições em todos os segmentos aumentaram quase 20% em relação ao ano anterior, para 461 acordos, segundo a KPMG.

Nos 12 meses até o fim de junho, o Brasil registrou 906 fusões e aquisições, um recorde desde que os dados começaram a ser levantados em 1994, informou a empresa.

Segundo Coimbra, o maior negócio deste ano ainda está por vir: o leilão para exploração e produção de petróleo, do excedente da cessão onerosa, programado para novembro.

--Com a colaboração de Peter Millard.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net