IPCA
0.11 Ago.2019
Topo

Decisão do BCE pode derrubar apostas com taxas de juros nos EUA

Emily Barrett e Edward Bolingbroke

11/09/2019 15h53

(Bloomberg) -- O último ato de Mario Draghi no comando do Banco Central Europeu pode ser o começo do fim de uma negociação de consenso em larga escala sobre as taxas de juros dos Estados Unidos.

As apostas sobre um corte de juros pelo Federal Reserve atingiram recordes de alta, segundo o mais recente posicionamento de especuladores em taxas de curto prazo. Mas essa visão de cortes de pelo menos meio ponto percentual nos EUA este ano - apoiada em grande parte pela convicção de que bancos centrais em todo mundo vão lançar mais estímulos - parece arriscada depois que bancos centrais da Suécia, Canadá e Austrália mostram uma postura menos dovish na semana passada.

Dúvidas se o BCE fará tudo o que é esperado na quinta-feira ajudaram a elevar os rendimentos de títulos públicos, perto dos menores níveis nos últimos anos, em ambos os lados do Atlântico. Esse poderia ser o começo de um recálculo abrangente para investidores com fortes apostas em bancos centrais tomando medidas para evitar uma recessão.

Parece provável que o Fed reduza as taxas em 25 pontos-base pela segunda vez em 2019 na semana que vem, mas a medida pode ser injustificada segundo os dados econômicos dos EUA. E o presidente do Fed, Jerome Powell, parece mais dividido. Embora as decisões de aumentar as taxas nove vezes entre 2015 e 2018 e fazer uma pausa no início deste ano tenham sido unânimes, dois diretores com direito a voto discordaram do corte de julho. Outras ações podem ser mais difíceis de justificar se os maiores temores que impulsionam os fluxos defensivos em todo o mundo - a disputa comercial EUA-China, Brexit e protestos de Hong Kong - se dissiparem.

"Tivemos vários bancos centrais pressionando para o outro lado", disse Mark Dowding, diretor de investimentos da BlueBay Asset Management, que administra mais de US$ 60 bilhões em ativos. "Em tempos normais, alguém poderia questionar se o Fed estaria pensando em reduzir as taxas no momento, já que as perspectivas para a economia doméstica dos EUA são bastante saudáveis."

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Emily Barrett em N York, ebarrett25@bloomberg.net;Edward Bolingbroke em N York, ebolingbrok1@bloomberg.net

Mais Economia