PUBLICIDADE
IPCA
0,64 Set.2020
Topo

Rússia quer mais empresas asiáticas em suas terras agrícolas

Anatoly Medetsky

13/09/2019 13h06

(Bloomberg) -- A Rússia quer que mais empresas asiáticas de alimentos usem terras agrícolas no Extremo Oriente, em uma iniciativa do país para buscar novos mercados de exportação.

O governo já ajudou a atrair empresas, que incluem o conglomerado chinês Legend Holdings e a China Mengniu Dairy, para investimentos no Extremo Oriente. A Rússia agora avalia pedidos de empresas asiáticas para cultivar outros 1 milhão de hectares - uma área aproximadamente do tamanho da Jamaica, segundo o responsável de uma agência estatal.

Os investimentos conjuntos com outros países ajudarão a Rússia a impulsionar o desenvolvimento econômico em uma parte vasta e pouco povoada do país e a abrir mais mercados de exportação. Para a China, produzir mais alimentos na Rússia ajudaria suas necessidades de importação, além de fornecer outra fonte de suprimentos em meio à guerra comercial com os EUA que abalou os mercados agrícolas.

"Muitos mercados estão fechados para produtos agrícolas russos" na Ásia, disse Leonid Petukhov, presidente da Agência de Investimento e Exportação do Extremo Oriente da Rússia, em entrevista em Vladivostok. "Uma maneira de abrir os mercados é criar incentivos ou atrair investidores da China, por exemplo, para que produzam aqui, em parceria com os russos."

Uma joint venture russa criada pela Legend Holdings, da China, está prestes a colher sua primeira safra de soja, milho e arroz no Extremo Oriente, e planeja, futuramente, cultivar 50 mil hectares. A empresa de alimentos sul-coreana Lotte planeja aumentar sua área na região para 150 mil hectares, disse Petukhov.

No ano passado, a China abriu seu mercado de laticínios para a Rússia, o que permitiu à Zhongding Dairy Farming exportar pela primeira vez leite líquido russo para o país asiático este mês, disse Petukhov. Já a China Mengniu Dairy fechou um acordo para criar uma joint venture que pode investir até 45 bilhões de rublos (US$ 690 milhões) na construção de fazendas leiteiras no Extremo Oriente da Rússia.

Em comparação com a era soviética, apenas cerca da metade das terras agrícolas do Extremo Oriente da Rússia está atualmente sendo usada para agricultura, de acordo com Petukhov. O governo agora usa drones para ajudar a identificar terrenos vazios que seriam adequados para potenciais investimentos.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net