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Executivo do Goldman diz que traders precisam saber "codificar"

Sonali Basak

20/09/2019 15h33

(Bloomberg) -- Quão importante será a capacidade de escrever código de programação para uma carreira de sucesso em Wall Street?

Segundo R. Martin Chávez, arquiteto da iniciativa do Goldman Sachs de se transformar com a tecnologia, seria o equivalente a "escrever uma frase em inglês".

Chávez, que se prepara para deixar a empresa, trabalhou em commodities e foi subindo na empresa até supervisionar o departamento de tecnologia e, finalmente, trading. Agora, faz uma reflexão sobre sua "aventura de 26 anos" no setor. "A descrição curta e resumida é tornar dinheiro, capital e risco programáveis", disse em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira. "Certamente, existem muitos tipos de atividades manuais nas quais os computadores são melhores."

Chávez, 55 anos, destacou os pontos fortes que podem ajudar os humanos a continuarem sendo relevantes, como suas habilidades de relacionamento e capacidade de avaliar riscos. No entanto, o executivo prevê que dicotomias antigas em Wall Street, como trader versus engenheiro, desaparecerão. Para continuar trabalhando, as pessoas precisarão dessas duas habilidades. Até o dinheiro está se tornando digital, uma mudança que vai muito além das criptomoedas, disse, apontando o sucesso da Stripe como um exemplo de novas maneiras de movimentar recursos.

A Stripe, por sua vez, tornou-se uma das empresas mais valiosas do Vale do Silício.

Conselho de mãe

Depois de deixar o banco no final do ano, Chávez planeja se concentrar em "dinheiro programável" e gastar tempo pensando e investindo em "vida programável".

De várias maneiras, sua carreira até o momento ilustra a própria evolução de Wall Street. Ele foi um dos primeiros a combinar atividades bancárias tradicionais e engenharia, aprimorando as habilidades da década de 1990 que as empresas agora tentam trazer para os altos escalões.

Chávez também era abertamente gay no Goldman Sachs numa época em que quase ninguém assumia isso. E também latino, um grupo particularmente sub-representado na liderança de Wall Street.

Sua mãe costumava lhe dizer que ele teria que trabalhar duas vezes mais para ter sucesso, o que ele chamou de "excelente, excelente conselho". Ironicamente, algo que o ajudou em sua carreira, disse, foi saber falar espanhol.

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