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Investidores mantêm aposta em resorts mesmo com furacões

Patrick Clark

24/09/2019 15h43

(Bloomberg) -- O Frenchman's Reef, o maior resort de St. Thomas, foi destruído pelo furacão Irma, que danificou telhados, paredes e derrubou árvores na propriedade à beira-mar. Dois anos depois, o hotel permanece fechado, enquanto o proprietário briga com as seguradoras para receber milhões pelos estragos.

Não é um cenário animador, mas os negócios continuam caminhando no Caribe, onde proprietários de resorts equilibram as tarifas dos quartos com os prêmios de seguro e se preparam para o próximo desastre. O Frenchman's Reef é um bom exemplo. Fechou para uma ampla reforma em 1997, depois que furacões atingiram a propriedade nos anos anteriores.

Apesar do risco, os proprietários de hotéis continuam justificando o investimento na região, aproveitando os mercados de seguro para compensar o risco e pagando um preço por ativos que reflete a probabilidade de futuros furacões. Essa lógica está sendo testada, pois a recente série de tempestades encarece o preço do seguro para resorts.

"Minha preocupação como corretor é que as pessoas estejam começando a pensar: essa é a nova norma?", disse Michael Rouse, líder da prática imobiliária nos EUA da Marsh LLC, unidade de corretagem de seguros da Marsh & McLennan Cos. "Quanto das mudanças climáticas tem a ver com a gravidade e a frequência que estamos vendo os furacões?"

Além de danos materiais, hotéis de Porto Rico a Florida Keys enfrentam o desafio de atrair turistas após a temporada de furacões de 2017, mesmo muito tempo após a reabertura de aeroportos e resorts. Os enormes resorts das Bahamas, que ficaram praticamente intocados pelo furacão Dorian este ano, precisam lembrar turistas que ainda estão no negócio depois que a tempestade de categoria 5 destruiu regiões do país.

Os prêmios de seguro de fundos de investimento imobiliário que possuem hotéis subiram cerca de 50% desde 2017, disse Michael Bellisario, analista da Robert W. Baird & Co. Os turistas já pagam muito caro pelas vistas do oceano e pelo clima quente, limitando a capacidade dos proprietários de aumentar os preços.

"Você tenta maximizar as tarifas o máximo que pode", disse Bellisario. "Em algum momento, tentará passar adiante, mas é mais fácil falar do que fazer."

--Com a colaboração de Katherine Chiglinsky.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net