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Cidade do Cabo busca causa de desaparecimento de tubarão-branco

Antony Sguazzin

30/09/2019 10h05

(Bloomberg) -- A Cidade do Cabo não sabe a quem culpar pelo desaparecimento de seus grandes tubarões-brancos: as orcas que os comem, os pescadores que vendem suas presas para a Austrália para os restaurantes "fish and chips" ou a gradual mudança ecológica.

Os maiores peixes predadores do mundo não foram vistos este ano na False Bay, que fica na costa leste da cidade, segundo cientistas e operadores de mergulho. Embora a ausência possa ser temporária, isso gera preocupação, pois, além de vinhedos, a icônica Table Mountain e restaurantes de classe mundial, a espécie é fundamental para o setor de turismo, que movimenta US$ 2,6 bilhões.

"É inédito que não estejam aqui", disse Gregg Oelofse, que supervisiona o gerenciamento costeiro da Cidade do Cabo. "Pensar que talvez não estejam mais aqui é trágico. Eles são fundamentais para a identidade da Cidade do Cabo. "

O desaparecimento dos tubarões de duas toneladas da False Bay, onde são famosos por pularem fora da água em busca de focas, levou a cidade a lançar um comunicado em agosto relatando o fato, o que irritou membros do governo.

Os tubarões sustentam o chamado setor de mergulho em gaiolas, que emprega até 750 pessoas, segundo uma agência municipal, e também uma vibrante cena de produção de documentários. Existe o receio de que muitos dos milhares de turistas que buscam ver tubarões na costa da cidade possam ir para outro lugar.

Tensão nacional

Observadores, que começaram a monitorar as praias da cidade há 14 anos após uma série de ataques fatais, ainda não viram nenhum tubarão-branco em 2019. A média de avistamentos foi de 205 entre 2010 e 2016. Os avistamentos caíram para 50 no ano passado. Várias carcaças de baleia que chegaram à costa não tinham mordidas de tubarão, uma ocorrência incomum.

O governo da África do Sul criticou a avaliação da situação pelo município da Cidade do Cabo.

"O departamento é incapaz de corroborar as declarações da Cidade do Cabo", afirmou. "É necessário focar todas as decisões de gerenciamento em informações factuais e cientificamente sólidas", disse o governo, acrescentando que mergulhadores de gaiolas e cientista teriam visto tubarões-brancos na baía.

--Com a colaboração de Pauline Bax.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net