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Venezuela recebe aviões carregados de dinheiro da Rússia

Feito logístico mostra uma das maneiras pelas quais governo de Maduro tenta contornar sanções financeiras dos EUA - Palácio de Miraflores/Reuters
Feito logístico mostra uma das maneiras pelas quais governo de Maduro tenta contornar sanções financeiras dos EUA Imagem: Palácio de Miraflores/Reuters

Patricia Laya

01/11/2019 14h17

Centenas de milhões de dólares em dinheiro vivo foram enviados da Rússia rumo à Venezuela, uma tábua de salvação para o regime de Nicolás Maduro, cujo acesso ao sistema financeiro global está restringido por sanções dos Estados Unidos.

Um total de US$ 315 milhões em notas de dólares e euros foi enviado em seis remessas separadas de Moscou a Caracas entre maio de 2018 e abril de 2019, de acordo com dados da ImportGenius revisados pela Bloomberg. A empresa compilou registros aduaneiros russos obtidos por meio de fontes privadas. O dinheiro veio de bancos administrados pelos governos dos países e foi enviado para o banco de desenvolvimento da Venezuela, segundo os registros.

Embora o dinheiro possa ter várias finalidades - como a repatriação de recursos da Venezuela depositados no exterior, dividendos de uma participação em um banco de Moscou ou receita com vendas de petróleo ou ouro -, o complexo feito logístico mostra uma das maneiras pelas quais o governo de Maduro tenta contornar as fortes sanções financeiras dos EUA. Como consequência do escrutínio, o banco central tem realizado mais transações em dinheiro, às vezes oferecendo aos clientes locais acesso a notas de euro.

Os dados da ImportGenius cobrem até abril deste ano. Naquele mês, cerca de US$ 97 milhões em notas foram enviadas em duas cargas pelo banco Evrofinance Mosnarbank, de Moscou, ao Banco de Desenvolvimento Econômico e Social da Venezuela, ou Bandes. O Evrofinance é uma joint venture entre o Bandes e a agência estatal de administração de propriedades da Rússia.

Em janeiro, US$ 113 milhões em notas de 100 euros foram enviados pelo banco estatal Gazprombank, que na época tinha uma participação no Evrofinance. A mesma entidade embarcou US$ 50 milhões em notas de dólar apenas dois dias antes e dois embarques separados, de moeda não especificada e totalizando US$ 55 milhões, foram realizados em maio e julho do ano passado.

A assessoria de imprensa do Evrofinance não respondeu a pedidos de comentários. Os pedidos feitos ao Bandes por meio do Ministério das Finanças da Venezuela foram redirecionados para o Ministério da Informação, que não respondeu.

Uma autoridade do governo venezuelano, que pediu para não ser identificada discutindo temas delicados, confirmou que o país recebeu remessas em dinheiro vinculadas ao Evrofinance, mas não fez mais comentários.

O porta-voz do Gazprombank, Anton Trifonov, não quis comentar qualquer remessa de dinheiro, mas observou que "a conta correspondente do Bandes com o Gazprombank, bem como qualquer cooperação entre os bancos, foi totalmente encerrada em março de 2019".

O Bandes foi sancionado em março pelo governo dos EUA, segundo o qual Maduro usa as contas do banco para manter uma quantia substancial de dinheiro no exterior, principalmente na Europa. As autoridades disseram que o governo venezuelano começou a retirar fundos do banco central, fazendo transferências para o Bandes.

No ano passado, o Evrofinance foi escolhido pelo governo Maduro para processar alguns pagamentos de fornecedores, que foram instados a canalizar transações internacionais através do banco de Moscou. Posteriormente em 2018, a Venezuela nomeou um ex-membro do conselho do Evrofinance como alto funcionário do sistema bancário do país.

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