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Varejistas do mundo todo aproveitam fama global da Black Friday

Jonathan Roeder e Marisa Gertz

26/11/2019 10h23

(Bloomberg) — Agora, não são apenas consumidores dos Estados Unidos que correm para as lojas e sites em busca de barganhas na sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças.

Embora a Black Friday, que geralmente cai na quarta sexta-feira de novembro, seja um dia de trabalho normal na maior parte do mundo, isso não impede que varejistas aproveitem o apelo da tradição americana. Os descontos oferecidos em novembro são cada vez mais atraentes fora dos EUA - como na Colômbia, Hungria e Paquistão -, pois as empresas usam a fórmula da Black Friday para impulsionar as vendas no fim do ano.

Mas por que alguns países só estão entrando na onda agora? A resposta é simples: comércio eletrônico. Com o maior acesso global à Internet, um número crescente de consumidores não precisa mais sair do escritório (ou de casa) para fazer uma compra. E, com a tradição cada vez mais popular, pessoas de todos os lugares estão ansiosas para estocar produtos com desconto.

Veja a seguir onde a Black Friday é mais popular e onde compete com as tradições locais.

1. México

O México importou a tradição, mas imprimiu sua própria marca e datas ligeiramente diferentes. Em 2011, o governo mexicano fez uma parceria com grupos empresariais locais para lançar o "El Buen Fin" ("O Bom Fim de Semana") como um evento anual de vendas que coincide com o fim de semana do Dia da Revolução no final de novembro. Tem sido um sucesso, com lojas repletas de consumidores e cenas frenéticas que são típicas nos EUA na sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças. As vendas durante o longo fim de semana aumentaram em média 15% ao ano desde o início da promoção e devem atingir 120 bilhões de pesos em 2019 (cerca de US$ 6,2 bilhões), segundo estudo publicado pelo jornal mexicano "El Economista".

2. Reino Unido

A tradição anual de compras de fim de ano do Reino Unido - o Boxing Day, em 26 de dezembro - não impediu os varejistas locais de promover a Black Friday e a Cyber ??Monday. Uma pesquisa da Oliver Wyman mostra que 89% dos consumidores do Reino Unido planejam comprar on-line nesse período - mas apenas 11% planejam fazer compras exclusivamente nas lojas que, no entanto, ficam mais lotadas no tradicional Boxing Day, quando consumidores normalmente devolvem presentes indesejados e aproveitam a visita para comprar novos itens.

3. China

A China, onde o Alibaba lidera o setor de varejo, pode ter superado os EUA. Em pouco mais de uma década, o gigante do comércio eletrônico transformou o Dia dos Solteiros, uma comemoração peculiar chinesa iniciada em 2009, no maior evento de compras do mundo, atraindo centenas de milhares de pessoas globalmente. Rivais como JD.com e Pinduoduo aderiram. Sozinho, o Alibaba registrou mais de US$ 38 bilhões em vendas este ano no período de 24 horas.

4. América do Sul

Empresas no Brasil e na Colômbia adotaram a Black Friday de maneira bastante direta nos últimos anos, fazendo promoções para consumidores on-line e em lojas físicas. Na Colômbia, um dia não foi suficiente, por isso alguns varejistas agora têm "Black Days", período que começa em 7 de novembro e termina em 3 de dezembro. No Brasil, os varejistas também promovem o "Black November" e a "Black Week". A unidade do Google até monta um "war room" todos os anos para descobrir maneiras de aumentar as vendas on-line de clientes e ajudar a evitar problemas no site.

5. Índia

Juntamente com o Reino Unido, a Índia pode ser um dos poucos países a ter uma tradição que antecede a Black Friday - neste caso, há séculos. O pico das compras acontece dois dias antes do Diwali, o festival de luzes celebrado em outubro e novembro por mais de 900 milhões de hindus do país. Chamado de Dhanteras, o dia é considerado o momento ideal para a compra de ouro, carros, eletrodomésticos ou para iniciar empreendimentos, pois o festival está associado à riqueza e à prosperidade. Muitas lojas permanecem abertas até a meia-noite. Empresas oferecem altos descontos e alguns consumidores tiram uma folga do trabalho para fazer compras.

—Com a colaboração de Swansy Afonso, Andrea Jaramillo, Fabiola Moura, Eric Pfanner, John Lauerman e Faseeh Mangi.

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