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Caso de amor de Macron com empresas de tecnologia chega ao fim

Helene Fouquet

02/12/2019 13h58

(Bloomberg) -- O ministro de Tecnologia do presidente da França, Emmanuel Macron, sinalizou que a lua de mel com as gigantes digitais acabou.O presidente francês decidiu cobrar um imposto sobre as gigantes globais de tecnologia para fazê-las contribuir para os cofres do Estado, assim como acontece com empresas de outros setores. Agora, Macron - que posou com dois iPhones em seu primeiro retrato oficial depois de assumir a presidência - quer mais regras para empresas como Facebook, Alphabet, que controla o Google, e Amazon.com.

"A linguagem corporal está mudando", disse Cedric O, ministro francês para assuntos digitais, em entrevista no antigo escritório de Macron, com vista para o Rio Sena. "A França pretende se tornar um dos países líderes em termos de regulamentação e conhecimento do ambiente tecnológico. Nós os entendemos, mas não somos lenientes."

O ministro inicia visita de uma semana aos EUA nesta segunda-feira, com paradas programadas em Washington, São Francisco e Los Angeles, com o objetivo de transmitir a mensagem do chefe. Macron quer um controle mais rígido sobre as maiores empresas digitais e não descarta uma iniciativa para separá-las.

A postura mais rígida de Macron coincide com as iniciativas da Comissão Europeia para assumir maior controle sobre o cenário digital da região. O presidente francês enviou a maioria de suas ideias para reforçar a regulamentação à nova presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, e à comissária antitruste da União Europeia, Margrethe Vestager, que aumentou o controle sobre empresas de tecnologia e é conhecida por impor multas gigantes.

Credenciais de tecnologia

Antes de assumir o comando, Macron passou muito tempo polindo suas credenciais de tecnologia, participando de eventos como o Consumer Electronics Show, em Las Vegas, como ministro da Economia para promover o ecossistema de startups francês. Como presidente, Macron convidou altos executivos de gigantes da tecnologia dos EUA, como o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, para reuniões em Paris.

Sua nova postura vem após uma série de multas aplicadas pela União Europeia contra empresas como Facebook e Google, em um esforço conjunto para melhorar as oportunidades da França no setor tecnológico doméstico.

Conversas nos EUA

O novo imposto, aplicado retroativamente a partir de janeiro, afeta empresas com pelo menos 750 milhões de euros (US$ 825 milhões) em receita global e vendas digitais de 25 milhões de euros na França. Embora a maioria das cerca de 30 empresas afetadas seja dos Estados Unidos, a lista também inclui empresas chinesas, alemãs, britânicas e francesas.

Os novos regulamentos para o setor de tecnologia também podem incluir tornar as plataformas interoperáveis para dar aos clientes a liberdade de trocar de operador, controlando o domínio de uma plataforma e estabelecendo uma regulamentação especial para o discurso de ódio, disse o ministro.

Cedric O, de 36 anos, que tem reuniões agendadas com Eric Schmidt, ex-presidente do Google, e planeja visitar os escritórios da Snap em Los Angeles, disse que as regras "não podem ser de setor para setor".

"Que regulação sistêmica queremos? Se você começar com impostos e depois for para o Uber e, em seguida, leis trabalhistas, Facebook em privacidade, e Google, em dados de saúde, você está sempre tentando recuperar o atraso e isso nunca acaba", afirmou.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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