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México vai mostrar se reajuste no salário mínimo limita emprego

Juan Pablo Spinetto, Nacha Cattan e Eric Martin

18/12/2019 13h41

(Bloomberg) -- Economistas que debatem o impacto do salário mínimo sobre a desigualdade, a inflação e a taxa de desemprego estão prestes a receber uma tonelada de evidências do México.

O país vai elevar o salário mínimo em 20% no próximo ano, um reajuste sete vezes maior do que a inflação, e que vem após um salto de 16% este ano.

O governo de esquerda do presidente Andrés Manuel López Obrador está usando o salário como ferramenta de combate à pobreza e à desigualdade. Foi um rompimento com medidas recentes, sob as quais o reajuste do salário mínimo mal cobria a inflação, para ajudar a segurar os custos das empresas que exportam para os EUA.

Antes de López Obrador assumir o cargo, o salário mínimo no México era o segundo menor entre mais de 30 países na comparação com o valor recebido pelo trabalhador médio, de acordo com um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Somente nos EUA a parcela era menor.

Economistas estão divididos sobre se os aumentos no salário mínimo prejudicam ou não a geração de empregos.

Gregory Mankiw, da Universidade Harvard, que presidia o Conselho de Assessores Econômicos dos EUA, acha que esse aumento reduz oportunidades de emprego para trabalhadores não qualificados. Já Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel, diz que não há evidências de que aumentar o salário mínimo diminui os empregos.

Protestos populares

O aumento salarial chega em um momento em que autoridades debatem como reduzir disparidades sociais em meio a protestos em massa em vários países latino-americanos.

Então, como vai a experiência no México?

Apesar dos alertas do banco central (Banxico), o reajuste de 16% do salário mínimo este ano não alimentou a inflação ? pelo menos por enquanto.

A taxa de inflação em 12 meses recuou de 4,8% um ano atrás para cerca de 3%. O núcleo da inflação, que acompanha as tendências subjacentes dos preços ao excluir itens mais voláteis, como alimentos e energia, ficou praticamente estável em 2019. Alguns economistas também destacam a forte demanda do consumidor como benefício trazido pelo maior poder aquisitivo dos trabalhadores.

Gerardo Esquivel, membro do comitê do Banxico nomeado por López Obrador e um integrante de mentalidade monetária notavelmente branda dentro de uma instituição tradicionalmente agressiva, comemorou o reajuste salarial adicional que entra em vigor em 1º de janeiro, declarando que é "justo e necessário".

Inflação e empregoOutros economistas alertam que o impacto cumulativo de dois aumentos de dois dígitos afetará muito mais os preços em 2020 e forçará o banco central a frear a sequência de cortes nos juros.

"Estamos começando a ver algum efeito dos aumentos elevados no salário mínimo sobre a inflação na forma de elevação no núcleo da inflação, e isso tornará o banco central mais prudente", afirmou Ernesto Revilla, economista-chefe para a América Latina do Citigroup em Nova York. "Isso fará o Banxico ir devagar no ciclo de flexibilização."

O México gerou 30% menos empregos formais no ano até novembro, na comparação com o ano passado. Em relatório divulgado em agosto, o banco central afirmou que o reajuste salarial no início do ano contribuiu para a desaceleração na geração de vagas.

Por outro lado, os salários de maneira geral estão subindo no país e, juntamente com o aumento das remessas, isso permitirá que o gasto do consumidor cresça mais rápido que o resto da economia no próximo ano, segundo Carlos Capistran, economista do Bank of America.Mesmo após o reajuste, o salário mínimo no México será equivalente a apenas US$ 6,50 por dia.

--Com a colaboração de Jeannette Neumann.

Repórteres da matéria original: Juan Pablo Spinetto Mexico City, jspinetto@bloomberg.net;Nacha Cattan Mexico City, ncattan@bloomberg.net;Eric Martin em Cidade do México, emartin21@bloomberg.net