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Guia de política monetária dos bancos centrais em 2020

Rafael Gayol, Harumi Ichikura, Cynthia Li, Chris Middleton, Barbara Sladkowska e Sarina Yoo

23/12/2019 16h17

(Bloomberg) -- Foi o ano em que os bancos centrais retornaram ao campo de batalha, cortando os juros para driblar a desaceleração causada pela guerra comercial e o subsequente declínio da atividade manufatureira.

Algumas instituições, como o Federal Reserve, tinham pelo menos aumentado os juros antes de 2019, criando espaço para o afrouxamento em meio ao crescimento mais fraco desde a crise financeira. Mas outras, como o Banco Central Europeu, se viram em uma posição mais difícil e tiveram que empurrar as taxas ainda mais em terreno negativo, alimentando críticas sobre os juros abaixo de zero.

O ano de 2020 talvez seja mais calmo para a política monetária. A área fiscal pode se ocupar de parte do trabalho, e as perspectivas de crescimento estão um pouco melhores. No entanto, os dados econômicos são mais conflitantes do que positivos. Em suma, o viés da política monetária ainda se inclina para o lado dovish. Enquanto grandes bancos centrais apontam manutenção dos juros, outros, especialmente nos mercados emergentes, devem cortar as taxas novamente.

Confira a revisão trimestral da Bloomberg Economics para alguns bancos centrais.

Federal Reserve

? Taxa básica atual (limite superior): 1,75%? Previsão para fim de 2020: 1,75%

O presidente do Fed, Jerome Powell, não deixou dúvidas de que as taxas de juros estão em manutenção prolongada, ao dizer em 11 de dezembro que a postura atual "provavelmente continuará apropriada", a menos que a perspectiva favorável do Fed para a economia sofra uma reavaliação significativa. As declarações seguiram a decisão de manter as taxas de juros estáveis ??em um intervalo de 1,5% a 1,75%, após três cortes consecutivos. As projeções do Fed mostram que 13 de 17 membros não esperam mudanças nas taxas até 2020. Isso os manteria à margem durante uma eleição presidencial no ano que vem.

Banco Central Europeu

? Taxa de depósito atual: -0,5%? Previsão para fim de 2020: -0,5%

O BCE prometeu intensificar os estímulos novamente se necessário, mas as autoridades sinalizaram publicamente que favorecem uma pausa depois de Mario Dragh ter aprovado um pacote polêmico em setembro para ajudar a desacelerar a economia da zona do euro.

Economistas e investidores esperam que as taxas permaneçam inalteradas, e a flexibilização quantitativa continue durante todo o ano de 2020 e além. Mas o banco central ainda poderá ser testado novamente se a economia vacilar sob incertezas no campo comercial ou se a desaceleração do setor fabril do bloco se espalhar para o segmento de serviços.

Banco do Japão

? Taxa básica atual: -0,1%? Previsão para fim de 2020: -0,1%

As perspectivas para o Banco do Japão em 2020 estão um pouco melhores após um pacote de gastos do governo para impulsionar o crescimento e alguns sinais de aceleração da economia global. Esse cenário deve manter o banco central japonês em modo de espera por enquanto. Com a taxa básica já em território negativo e ativos no balanço patrimonial que valem mais do que a economia do país, o obstáculo para agir novamente é alto, apesar do viés de afrouxamento.

Banco da Inglaterra

? Taxa básica atual: 0,75%? Previsão para fim de 2020: 0,75%

O Banco da Inglaterra finalmente terá um novo presidente em 2020, encerrando uma busca muitas vezes caótica para o sucessor de Mark Carney.

A vitória decisiva de Boris Johnson nas eleições de dezembro abriu caminho para que seu governo retire o país da União Europeia em 31 de janeiro. Andrew Bailey, que comanda a principal agência reguladora do Reino Unido, assume o comando do BOE em 16 de março com o desafio de enfrentar uma desaceleração global e escassez persistente de investimentos. O mais preocupante é que o novo prazo para o Brexit já está próximo, e o Reino Unido precisa garantir um acordo comercial com a UE até o fim do próximo ano, a menos que Johnson peça uma extensão.

Banco Popular da China

? Melhor taxa de empréstimos de 1 ano atual: 4,35%? Taxa de recompra reversa de 7 dias atual: 2,50%? Previsão para fim de 2020: 4,35%; 2,35%

Os analistas que previam o início da flexibilização monetária em larga escala pelo Banco Popular da China em 2019 ficaram desapontados, e o governador Yi Gang indicou que pretende seguir o caminho modesto e focado em estímulos em 2020. Dito isso, se a segunda maior economia do mundo piorar, então economistas esperam que o banco central continue a injetar dinheiro no sistema, como tem sido o método preferido para sustentar a economia este ano.

Banco Central do Brasil

? Taxa Selic atual: 4,5%? Previsão para fim de 2020: 4,5%

O BC fecha um ciclo de afrouxamento monetário que levou a Selic a uma mínima histórica de 4,5%. Embora investidores ainda estejam debatendo se a taxa pode cair outros 25 pontos-base, estão de acordo que a Selic deve permanecer próxima do nível atual até o fim de 2020.

O período sem precedentes de cortes de juros é suportado pelo fato de que as expectativas de inflação permanecem dentro da meta oficial pelos próximos dois anos pelo menos. A economia também ganha força depois de quase três anos de desempenho decepcionante, mas a recuperação continua gradual.

Banco do México

? Taxa overnight atual: 7,25%? Previsão para fim de 2020: 6,5%

O Banco Central do México reduziu a taxa de juros em um ponto percentual em 2019 em relação ao maior nível em uma década, após a inflação ter atingido a meta de 3% com crescimento econômico estável. Com uma recuperação econômica moderada prevista para 2020, é provável que o banco central mexicano siga com os cortes de juros.

Banco Central da Argentina

? Piso atual da taxa: 58%? Previsão para fim de 2020: não disponível

O recém-nomeado presidente do banco central da Argentina, Miguel Pesce, enfrenta uma tarefa assustadora, com uma economia em crise e uma taxa de inflação de mais de 50%. Ele pretende reduzir a alta dos preços para índices de um dígito até o fim de 2021 e diz que tanto a política monetária quanto um "acordo social" proposto pelo governo do presidente Alberto Fernández farão parte disso.

Para controlar a inflação, o banco pode tentar controlar os agregados monetários enquanto o governo tenta fazer acordos com o setor produtivo para manter os preços estáveis.

Metodologia: Com base na estimativa mediana da pesquisa mensal ou trimestral, quando disponível, ou nas previsões coletadas mais recentes. Todos os dados de taxas de juros e previsões são de 19 de dezembro. Algumas pesquisas foram realizadas no início de dezembro, antes das recentes decisões de política monetária.

--Com a colaboração de Onur Ant, Theophilos Argitis, Dorota Bartyzel, Jeff Black, Catherine Bosley, Walter Brandimarte, Matthew Brockett, Alister Bull, Natasha Doff, Toru Fujioka, Gordon Bell, David Goodman (London), Paul Gordon, Tom Hall, Michael Heath, Erik Hertzberg, Mikael Holter, Paul Jackson, Sam Kim, Anirban Nag, Prinesha Naidoo, Ruth Olurounbi, Nick Rigillo, Karlis Salna e Brian Swint.

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