Com Trump preocupado, economistas quantificam recessão nos EUA
(Bloomberg) -- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora vê risco de recessão no país devido ao coronavírus.
A franqueza de Trump contradiz seu otimismo anterior e a visão do secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, que um dia antes havia dito que o país poderia evitar uma recessão. Com isso, o mercado acionário nos EUA fechou em queda de 12% na segunda-feira, o pior desempenho desde 1987.
As previsões para os EUA variam bastante. Algumas indicam que a atividade econômica pode encolher 5% ou até 10% no segundo trimestre. Uma pergunta ainda mais difícil é quanto tempo a desaceleração vai durar.
"Os dois trimestres intermediários deste ano serão muito desafiadores, mesmo que controlemos rapidamente a propagação do coronavírus", disse Carl Tannenbaum, economista-chefe da Northern Trust, em Chicago, e ex-funcionário do Fed.
A enxurrada de notícias gerou uma cascata de consequências cada vez mais alarmantes.
Trump aconselhou que os cidadãos evitem se reunir em grupos com mais de 10 pessoas e parem de ir a restaurantes. Enquanto isso, cidades proíbem multidões e fecham clubes e bares. Condados da área da baía de São Francisco ordenaram que as pessoas fiquem em casa e saiam apenas se necessário. A Major League Baseball adiou o início da temporada do final de março para meados de maio.
O economista-chefe interino do Wells Fargo, Jay Bryson, escreveu na segunda-feira que uma desaceleração global é iminente, e o PIB deve encolher 1% este ano.
Economistas do JPMorgan Chase esperam uma recessão global "ampla e aguda" no primeiro semestre do ano, "com danos limitados no mercado de trabalho devido ao reforço de políticas e menor impacto do vírus em meados do ano". Nos EUA, o JPMorgan espera retração de 2% no primeiro trimestre e de 3% no segundo.
Espiral descendente
"Esta situação é a primeira vez desde a década de 1930 em que temos uma calamidade global em uma escala que os mercados de políticas simplesmente não estão à frente ou se antecipando", disse Scott Minerd, diretor de investimentos do Guggenheim Global, em entrevista à Bloomberg Television segunda-feira. "O risco que enfrentamos é que isso pode se transformar em algo semelhante a uma depressão global."
Economistas do Goldman Sachs projetam retração de 5% do PIB dos EUA no segundo trimestre, após crescimento zero nos primeiros três meses do ano. Na terça-feira, o Morgan Stanley disse que a economia dos EUA deve encolher 4% no segundo trimestre e se recuperar no terceiro.
Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, é bem mais pessimista. Em nota aos clientes, ele disse que a economia dos EUA poderia encolher até 10% no período de abril a junho, para então acelerar no terceiro trimestre.
Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net
Repórteres da matéria original: Christopher Condon Washington, ccondon4@bloomberg.net;Jeff Kearns Washington, jkearns3@bloomberg.net
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