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Bloqueios na Malásia ameaçam fornecimento global de luvas

K. Oanh Ha e Anuradha Raghu

26/03/2020 12h23

(Bloomberg) -- O mercado global corre risco iminente de ficar sem luvas devido às medidas para conter o coronavírus em um país que domina a produção: a Malásia.

A associação de fabricantes de luvas do país - cujos membros produzem 3 de cada 5 luvas em todo o mundo - alerta para "escassez crônica" do importante suprimento médico, já que as fábricas foram obrigadas a reduzir o número de funcionários devido ao amplo bloqueio da Malásia. A Top Glove Corp., maior fabricante global de luvas, disse que a demanda dos EUA, Europa e de outros países ultrapassa sua capacidade e que a entrega de pedidos está com quatro meses de atraso.

O governo da Malásia restringiu deslocamentos no país e ordenou o fechamento de muitas empresas, além de pedir que outras mantivessem o maior número possível de funcionários em casa para conter a propagação do patógeno. A maioria das fabricantes de luvas recebeu isenção para manter 50% dos funcionários nas fábricas. Algumas empresas planejavam se reunir com uma autoridade do Ministério do Comércio na quinta-feira para poder operar com 100% da força de trabalho, de acordo com a Associação de Fabricantes de Luvas de Borracha da Malásia.

Governos do mundo todo tentam desesperadamente adquirir e estocar suprimentos médicos essenciais, como máscaras, ventiladores e aventais para médicos e enfermeiros da linha de frente que enfrentam falta desses produtos.

"A demanda atual é anormal. Os hospitais estão ficando sem luvas", disse Denis Low, presidente da associação de fabricantes de luvas, em entrevista por telefone na quinta-feira. "Não conseguimos fornecer a quantidade que queremos. A escolha não é nossa."

Mesmo em plena capacidade, os produtores da Malásia não poderão atender à demanda atual. A Top Glove disse que recebe pedidos de até 2,6 bilhões de luvas por semana, o dobro da capacidade total. A empresa, que fornece pouco mais de 25% das luvas do mundo, recebeu recentemente uma isenção para operar com 100% da força de trabalho nas linhas de produção.

"Estamos trabalhando 24 horas, em dois turnos, no chão de fábrica", disse Lim Wee Chai, presidente do conselho da Top Glove. "Sem dúvida, já há escassez."

©2020 Bloomberg L.P.