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Guaidó perde força após incursão fracassada na Venezuela

Alex Vasquez

15/05/2020 16h25

(Bloomberg) -- Uma sombra paira sobre Juan Guaidó, líder da oposição da Venezuela apoiado pelo governo de Washington. Alguns de seus colegas começam a questionar não apenas a confiança nele, mas também na abordagem do governo Donald Trump para destituir o presidente Nicolás Maduro.

Políticos da oposição entraram em contato com o Departamento de Estado dos EUA para pedir uma mudança de direção, até de liderança, de acordo com cinco pessoas com conhecimento direto do assunto. Vários sugeriram novas negociações com Maduro, enquanto outros querem eleições parlamentares. Guaido rejeitou ambas as opções.

Alguns dizem que a crise do país agravada pelas quarentenas contra o coronavírus e escassez de produtos apresenta uma oportunidade para conquistar corações e mentes. Eles querem que os subsídios para as famílias mais pobres venham de fundos controlados por Guaidó - mais política social e menos orgulho diplomático. Um líder veterano da oposição afirma categoricamente que a liderança de Guaidó acabou, embora diga isso sob condição de anonimato.

Até certo ponto, essas manobras e lutas internas fazem parte da política em qualquer lugar. O fato de dissidentes não estarem dispostos a se identificar é uma prova de que sabem que não podem vencer por enquanto. De maneira geral, os partidos da oposição dizem que, enquanto Guaidó contar com o apoio dos EUA, não será substituído, pelo menos não neste ano.

'Ciúmes'

O governo Trump permanece totalmente ao lado de Guaidó. Como disse uma autoridade, "punhalada pelas costas e ciúmes são comuns. Acreditamos que a maioria da oposição está unida com Juan Guaidó".

Ainda assim, o líder da oposição está mais fraco do que nunca nos 16 meses desde que a reeleição de Maduro foi considerada irregular e Guaidó, que preside a Assembleia Nacional democraticamente eleita, foi declarado legítimo presidente interino pelos EUA e mais de 50 outros países.

"Não há como Guaidó escapar ileso", disse Luis Vicente León, presidente do Datanálisis, um instituto de pesquisas de Caracas. Há quatorze meses, de acordo com as pesquisas de León, 63% dos venezuelanos acreditavam que era possível uma mudança de governo; hoje, essa parcela é de 20%.

Quando contatado para comentário, o escritório de Guaidó disse: "Substituí-lo seria prejudicial às forças democráticas, já que é o único líder que conseguiu reunir amplo apoio internacional contra Maduro".

©2020 Bloomberg L.P.