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Preto e branco em Wall Street: o código não escrito sobre raça

Michelle Davis

29/06/2020 15h39

(Bloomberg) -- Aqui estão 13 regras não escritas sobre ser negro em Wall Street, de acordo com pessoas que passaram pela experiência:

1. Nunca se esqueça: apesar de todas as promessas sobre diversidade, apenas cerca de 1% dos cargos de alta gerência são ocupados por negros.

2. Cuidado ao apontar esse dado para mesas de trading predominantemente brancas e principalmente masculinas.

3. Acostume-se a ouvir sobre a suposta falta de candidatos negros "qualificados".

4. Uma nota 4 em Harvard não é suficiente. Suponha que alguns executivos brancos de Wall Street pensem que os colegas negros são "contratados pela diversidade".

5. Adote uma "voz branca".

6. Espere ouvir reclamações sobre treinamento sobre preconceito.

7. Reserve longas horas para combater estereótipos sobre "ética no trabalho".

8. Não peça tarefas diretamente; e espere perder algumas para colegas brancos menos qualificados.

9. Dissimule raiva ou frustração.

10. Respeite o espaço pessoal dos colegas brancos.

11. Não ria alto demais.

12. Aja como se tudo isso fosse normal.

13. Não fale sobre raça.

Nem todos em Wall Street, negros ou brancos, concordam com todas essas declarações. Essas regras não escritas, e outras como elas, foram obtidas em dezenas de conversas com banqueiros e operadores negros durante o mês passado, quando o racismo dominou o debate nos Estados Unidos.

As entrevistas variam em idades, cargos e experiências, mas todas refletem a mesma realidade preocupante: apesar dos anos de debates, Wall Street falhou principalmente com pessoas não brancas.

Poucos trabalhadores negros vão dizer isso publicamente. E poucos preveem mudanças de impacto tão cedo no setor financeiro, mesmo quando o movimento Black Lives Matter alcança todos os cantos dos Estados Unidos.

É verdade que promessas foram feitas. Desde a morte de George Floyd, que levou a demandas coletivas por ação, Morgan Stanley e Wells Fargo prometeram promover executivos negros. O Goldman Sachs exigiu mais treinamento sobre preconceito. O JPMorgan Chase expandiu seus programas de mentoria. E o Bank of America prometeu recursos para combater a desigualdade.

No entanto, o universo privilegiado das finanças dos EUA ainda se parece muito com uma década atrás ou mesmo duas ou três décadas atrás.

"Há certas coisas que você pode querer fazer, mas não pode", diz Dennis Creary, que comanda uma organização sem fins lucrativos chamada Blacks on Wall Street e vende software da Oracle para grandes bancos. "A raiva existe, mas o medo de perder o emprego para o qual você batalhou também."

Creary acrescenta: "Somos dispensáveis".

©2020 Bloomberg L.P.