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Sementes tolerantes à seca são potencial em países árabes, diz especialista

Roma, 19 jan (EFE).- As sementes tolerantes à seca têm um grande potencial nas zonas áridas dos países árabes como uma das fórmulas para melhorar o rendimento dos cereais, indicou nesta terça-feira em Roma o especialista Mahmoud Solh.

O diretor-geral do Soluções Sustentáveis para Agricultura em Zonas Áridas (ICARDA) destacou em uma conferência na sede da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) os últimos avanços no melhoramento convencional de cultivos e por meio de biotecnologias.

Entre as variedades com tolerância à seca e outras formas de estresse, Solh citou uma espécie de trigo sintético e outra resistente à ferrugem do café, doença que afeta diferentes grãos.

Também há variedades tolerantes ao calor que estão crescendo no Sudão e que foram levadas à Nigéria e outros países da África Subsaariana, afirmou o responsável da ICARDA, centro que conta com uma coleção de cerca de 147 mil amostras de sementes, procedentes sobretudo de terras áridas.

A gestão de água em países onde está escasso este recurso é outro dos pontos importantes para aperfeiçoar as práticas agrícolas e, nesse sentido, Solh louvou os esforços do Marrocos em áreas onde costuma chover, os do Egito nas zonas irrigadas e os da Jordânia nas de tipo marginal.

Sohl também se referiu aos trabalhos na Tunísia e Síria para aumentar o rendimento do trigo, apesar deste último país sofre as consequências do conflito desde 2011.

Até princípios da década de 1990, a Síria importava trigo, mas a partir de 2004 começou a ser auto-suficiente devido à melhora das variedades, a gestão dos cultivos, os sistemas de irrigação e o uso de adubos, segundo Solh.

Um enfoque integrado que, embora não pôde evoluir por culpa da guerra, demonstra que a soma de diferentes práticas pode impulsionar a produtividade dos cereais, inclusive nas zonas áridas, a julgamento do especialista.

Segundo a FAO, o milho, o arroz e o trigo representam 42,5% de todas as calorias humanas e sua colheita deverá ser aperfeiçoada para evitar a degradação dos ecossistemas que causou o modelo atual, caracterizado por práticas como o monocultura ou a super exploração de aqüíferos.

Espera-se que para 2050 a demanda anual desses três cereais chegue a 3,3 bilhões de toneladas, 800 milhões a mais que a colheita recorde de 2014.

Para garantir sua produção sustentável, a agência da ONU pede que melhorem a variedade de cultivos, conservem os solos de maneira orgânica, utilizem a rotação de cultivos e diversifiquem a produção de cereais integrando-a com árvores, legumes, gado e aquicultura, entre outras práticas.

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