Greve de médicos residentes deixa Inglaterra sem serviços de emergência

Londres, 26 abr (EFE).- Milhares de médicos residentes iniciaram nesta terça-feira uma greve que pela primeira vez deixará a Inglaterra sem serviços de emergência durante dois dias, em protesto contra o novo contrato que o governo britânico pretende impor a esses profissionais.

A greve durará dois dias e também afetará os serviços de maternidade e terapia intensiva. Esta é a quarta paralisação e a primeira a afetar os serviços de emergência nesta região do Reino Unido.

Em janeiro houve desacordos entre o governo conservador de David Cameron e o sindicato British Medical Association (MBA) sobre as condições trabalhistas e salariais dos médicos residentes.

Os hospitais se prepararam desde ontem para atender um maior número de pacientes, em jornada na qual mais de 13 mil operações foram adiadas e 100 mil visitas médicas foram canceladas para ter médicos disponíveis em caso de emergências.

Uma pesquisa divulgada hoje, elaborada pelo instituto Ipsos Mori para a emissora "BBC", revelou que 57% dos 800 adultos entrevistados apoiam a greve dos médicos residentes, contra 26% que não concordam com a paralisação.

Enquanto a maioria dos consultados, 54%, culpa o governo britânico pela greve, 35% condena tanto a administração como os médicos, e apenas 8% atribui a culpa ao setor de saúde.

A escritora britânica e autora da saga de livros "Harry Potter", J. K. Rowling, foi ao Twitter para manifestar apoio aos médicos que aderiram à paralisação.

"Os médicos que foram leais à saúde britânica durante anos não merecem ser acusados de ganância", contestou a autora a um usuário que criticou os médicos que aderem à greve, mas que praticam a medicina privada.

A autora, que é casada com um médico, comentou que todos os profissionais que conhece do setor "têm medo, acima de tudo, de cometer um erro" e explicou que "o novo contrato reparte os mesmos recursos, mas em porções menores".

Os serviços de saúde da Inglaterra (NHS England) disseram ter criado um plano de contingência "de nível militar" para proteger os serviços de urgência e emergência durante os próximos dois dias.

Na opinião do NHS England, "ações como esta podem pressionar de forma significativa os serviços de saúde", apesar de ser "seguro" que os hospitais poderão fazer frente a estes dois dias de intensa atividade.

Para isso, foi aumentado o número de pessoas que atende às ligações feitas à linha 111, de emergências.

Em fevereiro, e após a falta de entendimento, o governo de Cameron impôs um novo contrato a estes profissionais, que os sindicatos rejeitaram.

A disputa entre ambas as partes se baseou na redução da compensação salarial pelos turnos programados em horas consideradas "anti-sociais" realizadas pelos médicos.

O novo contrato equipara, por exemplo, os complementos salariais extra dos sábados até as 17h às tarifas de um dia útil.

Os profissionais se opõem a essa medida por considerarem que ela "desvaloriza" o trabalho, frente à postura do governo, que defende que assim os hospitais poderiam contratar mais médicos aos fins de semana.

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