Economia chinesa busca inovar através da indústria dos drones

Javier Borràs.

Shenzhen (China), 1 mai (EFE).- A indústria dos drones, dominada por empresas chinesas e liderada pela poderosa DJI, é um símbolo de sucesso na difícil transição que a China pretende, de potência manufatureira para uma economia baseada na tecnologia e na inovação.

A sede da DJI em Shenzhen, na província de Cantão, tem paredes limpas, salas grandes de vidro transparente e drones pretos com forma de aranha metálica: essa é a mostra de um pujante setor que serve de vitrine do que a nova China quer ser.

Kefin On, vice-diretor de comunicação da DJI, destaca a um grupo de jornalistas que a empresa representa 70% do mercado mundial de drones - uma estimativa baseada em "vários estudos" - embora, se negue a dar dados sobre os lucros da empresa em 2015.

"Somos uma empresa privada", diz, para justificar que não pode divulgar estes dados ao público.

Ele explica que "não é vantajoso" divulgar muitos dados e que "todas as companhias têm números que querem manter confidenciais". Ele prefere falar do 'Agras MG-1', seu drone de oito hélices especialmente projetado para a agricultura, com um custo de 13 mil euros (mais de R$ 50 mil); ou sobre o 'Phantom 4', com um design inteligente capaz de deter ou se esquivar de obstáculos e evitar sua destruição em queda livre, por 1.200 euros (quase R$ 5 mil).

Kefin On também explica outras virtudes destes robôs voadores: podem servir para levar remédios em operações de resgate, para gravar filmes com imagens aéreas ou para que as companhias de seguros possam avaliar danos a partir do alto.

Ele garante que nenhum de seus drones tem uso militar, e que sua empresa não trabalha com forças policiais ou exército, mas sim em alguns setores da aviação.

A DJI é o maior expoente deste setor tecnológico em Cantão, a província que exporta 99% dos drones chineses para o resto do mundo, em um país que tem 400 empresas dedicadas a estes robôs aéreos e que realizou exportações no valor de 385 milhões de euros (R$ 1.537.749.677) de janeiro a novembro de 2015.

Esta empresa é um exemplo do modelo que a China quer impulsionar e que pretende - especialmente na província de Cantão, motor econômico do país desde as reformas liberais dos anos 80 - passar da fabricação de manufaturas baratas à da "inovação", uma palavra que empresas e autoridades da região repetem quase que obsessivamente.

A iniciativa privada com certo apoio do governo aparece em empresas como a Shenzhen Makerspace, definida como "incubadora de empresas emergentes" que ajuda jovens empreendedores a "alcançar seus sonhos": ou seja, uma empresa que seleciona e apoia diversos projetos (a maioria sobre drones) que podem se tornar empresas autônomas.

Na sala de exposições - também na moderna Shenzhen, igualmente de paredes brancas e, neste caso, com uma grande bandeira comunista na entrada - diversos projetos são mostrados em telas touch screen, enquanto do lado de fora se exibem dois grandes drones criados por empresas apoiadas pela Shenzhen Makerspace.

Li Jun, um dos fundadores, explica que esta companhia foi inicialmente financiada com fundos privados, mas agora os projetos recebem 30% de apoio através de ajudas do governo.

Ele confessa que apenas 5% das novas empresas conseguiram se libertar da proteção econômica da Makerspace. Perguntado pelas futuras utilidades destes drones, ele não descarta que possam ser usados para fins militares, embora advirta que os projetos ainda estejam em desenvolvimento.

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