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Poços de petróleo em bairros de minorias são alvo de queixas em Los Angeles

Aitana Vargas.

Los Angeles (EUA.), 1 ago (EFE).- A expansão da indústria petrolífera na cidade de Los Angeles, na costa oeste dos Estados Unidos, tem sido alvo de queixas por parte de ambientalistas, que enxergam no processo discriminação, uma vez que estas usinas, altamente poluentes, se concentram em bairros de comunidades afro-latinas.

Das 759 usinas ativas mais "polêmicas", 74% estão em comunidades afro-americanas e latinas de baixo nível socioeconômico e, sobre este pano de fundo, os ativistas e residentes começaram a denunciar a "injustiça social" e "discriminação" que se construiu em paralelo.

"Cada vez mais gente, por bom senso, está começando a perceber que não é apropriado nem é saudável ter uma usina operando em metade de um bairro, tão perto de casas e escolas", afirmou a Efe Niki Wong, uma dos líderes de Redeemer Community Partnership, uma organização sem fins lucrativos.

Wong vive em West Adams, um bairro operário e afro-latino construído no final do século XIX no sul de Los Angeles.

Em 1965, a Union Oil comprou vários imóveis, demoliu as casas e construiu uma usina de extração de petróleo e gás na região. Desde então, as operações não cessaram, nem sequer quando a usina foi adquirida em 2013 pela companhia Freeport McMoRan.

A fábrica está a menos de dois metros das janelas do edifício residencial mais próximo. Os apartamentos e as instalações petrolíferas são separadas apenas por um muro que não supera os três metros de altura.

De vez em quando, ativistas e residentes sobem em uma cadeira e constatam a ameaça que existe do outro lado do muro: a agitação das máquinas perfuradoras, guindastes, fumaça, barulho e maus cheiros.

Segundo o relatório "Drilling Down", que reporta o impacto da expansão da indústria petrolífera em Los Angeles, há 1.071 poços ativos distribuídos pela cidade.

Destes, 759 se encontram a menos de 458 metros de casas, igrejas, colégios e hospitais. A região de West Adams reúne 36 desses poços.

Mas, com quinhentos poços ativos, o bairro mais invadido pelas máquinas perfuradoras é Wilmington, situado no sul da cidade, onde 86,6 % da população é de origem hispânica.

"A cidade de Los Angeles permitiu à companhia Warren E & P expandir exponencialmente suas perfurações em Wilmington com 540 poços", denunciou Gladys Limón, advogada da organização Communities for a Better Environment. Para Limón, a situação é muito fácil de explicar: "as usinas perfuradoras e as zonas residenciais são incompatíveis".

A advogada representa os interesses da organização juvenil Youth for Environmental Justice em uma ação apresentada em 2015 contra a cidade de Los Angeles, na qual a Youth Leadership Coalition e a Center for Biological Diversity também figuram como partes.

As organizações juvenis acusam à cidade de "negligência", "discriminação racial" e de negar às comunidades afro-americanas e latinas "justiça ambiental" ao "violar de forma sistemática as leis civis e ambientais da Califórnia".

As entidades argumentam que a cidade aplica uma política "discriminatória" para conceder permissões às companhias que querem expandir ou iniciar projetos petroleiros. Em zonas de maioria branca, como Beverly Hills ou o oeste da cidade, se impõem requisitos mais rígidos antes de autorizar licenças.

Nestas zonas, as companhias utilizam motores elétricos e devem construir um edifício fechado para conter as emissões ao exterior, segundo explicou Wong.

Por outro lado, em bairros latinos e afro-americanos, não só há mais poços, como os requisitos de segurança também são menores, expondo os residentes a um maior risco para saúde.

"As doenças que estas fábricas podem causar quanto ao barulho, qualidade do ar e outros problemas são reais", afirmou à Efe Matt Petersen, chefe do escritório de sustentabilidade da cidade de Los Angeles.

O funcionário explicou que a cidade está colaborando com a agência encarregada da qualidade do ar (AQMD) para resolver as queixas da comunidade. Também contratará um especialista em petróleo.

Por sua vez, a diretora de comunicação da Califórnia Independent Petroleum Association (Associação Independente das Petrolíferas da Califórnia), Sabrina Demayo Lockhart, explicou à Efe que as companhias devem operar respeitando marcos regulatórios estritos em nível local, regional e federal.

"As queixas são simplesmente uma tentativa camuflada por parte dos grupos que querem conter toda a produção energética, o que só faria com que nosso estado seja mais dependente de petróleo importado, produzido com pouca ou nenhuma proteção ambiental", defendeu.

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