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Especialistas discutem futuro do comércio internacional na internet

Isabel Saco.

Genebra, 25 abr (EFE).- A totalidade do comércio internacional e dos negócios acontecerá por meio de plataformas eletrônicas e os países em desenvolvimento devem criar sem demora as condições para aproveitar as oportunidades que serão oferecidas, previu nesta terça-feira Jack Ma, fundador e diretor-executivo da Alibaba, maior empresa do setor.

Em uma jornada de conferências dentro da Semana do Comércio Eletrônico, patrocinada pela Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), o executivo aconselhou os governos de nações em desenvolvimento a promover o comércio eletrônico, sem esperar regulamentações, porque, caso contrário, a brecha digital com os países ricos se tornará ainda maior.

Em um debate no qual participaram ministros de Comércio e Indústria de vários países enviados a Genebra para aprofundar a reflexão sobre o comércio eletrônico, Ma lembrou que seu negócio começou há 15 anos movendo algumas dezenas de milhares de dólares e que fechou 2016 com uma cifra de negócios de US$ 550 bilhões.

Se tivesse escutado os temores que reinavam então na China, sobre a falta de regulamentação, a burocracia ou a proliferação de produtos falsificados, nunca teria construído o império que atualmente é a Alibaba, segundo o próprio reconheceu.

"O comércio eletrônico é para jovens e pequenos negócios, não tentem convencer os vencedores, porque eles não querem arriscar", afirmou Ma ao público.

No entanto, os desafios para fazer do comércio eletrônico uma experiência mundial ainda são enormes, com 55% da população mundial sem acesso à internet, segundo dados mencionados pelo diretor-geral da União Internacional para Telecomunicações (UIT), Houlin Zhao.

O diretor-executivo da Alibaba lembrou que se espera que, até 2020, o número de usuários de internet chegue a cinco bilhões, uma cifra que exemplifica o potencial do comércio eletrônico.

Esta área de negócio não somente depende de uma conexão de internet, mas também de infraestruturas viárias que permitam que os produtos saiam de seu lugar de produção e cheguem ao consumidor, dos serviços postais e do funcionamento adequado das plataformas de pagamento eletrônico.

Por sua vez, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevêdo, destacou até que ponto os desafios são enormes para os que tentam fazer negócio com o comércio eletrônico nos países pobres, como acontece com o site Jumia, da Costa do Marfim.

"Eles pretendem ser a Amazon da África", indicou Azevêdo, mas seus esforços se chocam com uma conectividade ruim, com o mau funcionamento dos serviços postais - 20% das remessas voltam aos armazéns - e com uma proporção importante de pagamentos eletrônicos que não podem ser concluídos.

"Além disso, precisam contratar gente de fora para poder superar os empecilhos burocráticos", lamentou o diretor-geral da OMC.

Uma dezena de países que se uniram em um grupo denominado Amigos do Comércio Eletrônico (Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Quênia, Nigéria, México, Paquistão, Sri Lanka e Uruguai) propôs que a OMC se encarregue da elaboração de regulamentos para este setor.

Esta idéea foi questionada por Ma: "A maioria dos países em desenvolvimento não tem comércio eletrônico, mas tem regulamentações. Isto me dá medo", disse o chinês, após ressaltar várias vezes que a força para fazer crescer este negócio virá do setor privado e não dos governos.

No entanto, Azevêdo defendeu as regulamentações como uma maneira de estabelecer "padrões comuns" e de "compartilhar boas práticas" e descartou que se trate de "controlar" a forma como funciona o comércio eletrônico.

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