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Acusado de lesar Chile em ranking do Banco Mundial nega motivação política

Santiago (Chile), 14 jan (EFE).- Augusto López-Claros, acusado como o responsável pela manipulação de dados que prejudicou o Chile no ranking de competitividade empresarial do Banco Mundial (BM), afetando o governo de Michelle Bachelet, negou neste domingo qualquer motivação política no caso.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal "El Mercurio", López-Claros garantiu que não conhece Sebastián Piñera, que em março assume a presidência do Chile pela segunda vez após ter vencido as eleições realizadas em dezembro do ano passado.

O economista boliviano foi acusado de manipular dados relativos ao Chile entre 2006 e 2010, quando Bachelet governou o país pela primeira vez, e depois de 2014, quando voltou ao cargo substituindo Piñera, que retornará ao poder neste ano.

Os índices eram piorados na administração de Bachelet e melhorados no período em que Piñera presidiu o país.

López-Claros admitiu que os indicadores do relatório de competitividade empresarial do Banco Mundial tiveram mudanças substanciais de metodologia nos últimos quatro anos. Mas, segundo eles, essas mudanças tiveram consultoria interna e externa.

"Todo o processo ocorreu em um contexto de transparência e abertura. As mudanças nas classificações dos países aconteceram porque uns fizeram reformas mais rapidamente que outros", explicou.

"Entre 2014 e 2017, o Chile fez duas reformas, o México fez oito e a Colômbia, seis", exemplificou o economista.

Segundo ele, o Chile perdeu várias posições no último relatório devido à introdução de questões de gênero nos indicadores.

"A legislação chilena tem uma série de características que impõem restrições contra as mulheres", afirmou.

"O Chile perdeu posições nos últimos anos pelos motivos descritos anteriormente", concluiu López-Claros.

Após concluir um doutorado em Economia na Universidade de Duke, o economista trabalhou como professor na Universidad de Chile, vivendo no país entre 1989 e 1992.

Depois, López-Claros viajou para a Rússia como representante do Fundo Monetário Internacional (FMI). No fim da década de 90, trabalhou como economista internacional no banco Lehman Brothers, para depois ser economista-chefe e diretor do programa de competitividade global do Fórum Econômico Mundial.

Em março de 2011, o economista assumiu o cargo de diretor do Departamento de Indicadores e Análise Global do Banco Mundial, sendo responsável pela elaboração do relatório "Doing Business", no qual teria ocorrido a manipulação de dados contra o Chile.

Atualmente, López-Claros está em um ano sabático de estudos na Universidade de Georgetown, em Washington.

Em matéria publicada ontem pelo "The Wall Street Journal", o economista-chefe do Banco Mundial, Paul Romer, pediu desculpas ao Chile pela manipulação dos dados no ranking. Ele também anunciou uma revisão e uma correção do relatório nos últimos quatro anos.

Romer afirmou que as mudanças de metodologia que afetaram a posição do Chile "têm a aparência de estarem motivados politicamente".

"Objetivamente, baseando-me nas coisas que estávamos medindo antes, as condições empresariais do Chile não pioraram durante o governo Bachelet", afirmou.

A presidente do Chile pediu uma investigação do caso.

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